Os fatos ocorridos no Pará em maio de 2011 lembram e muito o tempo em que os coronéis eram figuras comuns nas áreas rurais do Brasil, os primeiros anos da república. Tempos nos quais o fazendeiro explorava os trabalhadores rurais, expulsavam-nos de suas terras ou coisas parecidas. Não havia leis que protegessem esses trabalhadores, mas por um simples motivo, os legisladores eram os próprios fazendeiros, eles eram os vereadores, os deputados e senadores.
Muitos foram os que lutaram por melhores condições, na Amazônia se destacam nomes como Chico Mendes, Ajuricaba, Doroty Stang. Luaram não só pelos direitos dos trabalhadores, mas lutaram pela sustentabilidade da floresta, pela defesa da posse da terra aos povos indígenas. Uma vez que na Amazônia, houve um incentivo por parte dos governos à pecuária extensiva, ao desmatamento, e a outras tantas atrocidades que são constantemente cometidas e simplesmente fecham-se os olhos dos que deveriam defender a floresta, que não se sabe por que milagre ainda está sob domínio brasileiro.
Por último Maria do Espírito Santo, punida por coronéis do Século XXI, como José Sarney, Jader Barbalho, o (ainda bem) já falecido Antônio Carlos Magalhães e tantos outros que fizeram dos seus estados seus quintais, onde as suas vontades vigoravam sob a forme de leis locais.
Maria do Espírito Santo morreu porque defendeu melhores condições de trabalho para os seus semelhantes, pois sabe-senão de agora que na região norte a escravidão não acabou no 13 de maio de 1888, nem com a Constituição de 1988, tampouco acabara nesta década se as ações de combate a esses regimes de trabalho continuarem da mesma forma.
Essas mortes são mais que outra coisa uma denúncia, uma denúncia de que algo precisa ser feito, porque nessas regiões ainda se vive no meio de coronéis como na República Velha, em meio a ameaças e a regimes exploratórios de trabalho, nos seringais, nas fazendas de gado, nas serrarias e assim por diante.
"O caráter de um homem deve ser medido pela sua disposição em sacrificar-se em prol de suas crenças" (Carlos Marighela)
Frase da semana
A manifestação popular é a legitimação da democracia (Dilma Roussef)
domingo, 3 de julho de 2011
Mataram Chico Mendes: Uma cagada Histórica, ou melhor, um crime contra a luta trabalhista no Brasil
Publicado por Rodrigo Ken em 22 de dezembro de 2010
in: 22/12/1988 – Mataram Chico Mendes
Em certos momentos, quando nos remetemos a morte de algum personagem histórico, diremos que ele faleceu ou simplesmente morreu. Dificilmente diremos que assassinaram uma pessoa, porque podem não existir fatos que comprovem isso. Neste post isso não acontecerá e faço uso de todas as palavras para dizer que no dia vinte e dois de dezembro de 1988 mataram Chico Mendes. Até porque é impossível uma pessoa morrer acidentalmente ou de causas naturais com um tiro de escopeta no peito.
Francisco Alves Mendes Filho, ou Chico Mendes, nasceu no Acre em 1944 e logo criança aprendeu o ofício de seringueiro com o pai. Chico só aprendeu a ler e escrever próximo de seus vinte anos. Já adulto, em 1975, tornou-se líder sindical. Dois anos depois consegue se eleger vereador, momento em que recebe suas primeiras ameaças de morte.
Chico Mendes ficava indignado com as condições de vida dos trabalhadores e moradores da região amazônica, foi defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros. Motivado, Chico organizou os trabalhadores e sob sua liderança a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão nacional e internacional. Adivinha quem não gostou disso? Quem lucrava, claro!
Em 1987, Chico Mendes recebeu a visita de representante da ONU que viram de perto a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros causada pela ganância dos grandes fazendeiros que recebiam financiamento de bancos internacionais. Isso pegou mal e os bancos cortaram os financiamentos. O desapropriamento do seringal de Darly Alves da Silva, deve tê-lo deixado muito bravo, e as ameaças a Chico Mendes ficaram freqüentes. Chico então botou a boca no trombone, denunciou publicamente os nomes dos prováveis responsáveis, pediu proteção, mas nada adiantou. Na data de hoje, Chico Mendes foi morto.
Em 1990 Darly Alves da Silva e Darcy Alves Ferreira foram condenados há dezenove anos de prisão. Darly fugiu em 1993, se escondeu num assentamento no INCRA sob nome falso, isso lhe rendeu mais dois anos de prisão quando foi capturado em 1996. Mas em 2007 a bonitona, a juíza Maha Kouzi Manasfi e Manasfi liberou o Sr. Darly para cumprir prisão domiciliar. É ou não é uma cagada histórica?
in: 22/12/1988 – Mataram Chico Mendes
Em certos momentos, quando nos remetemos a morte de algum personagem histórico, diremos que ele faleceu ou simplesmente morreu. Dificilmente diremos que assassinaram uma pessoa, porque podem não existir fatos que comprovem isso. Neste post isso não acontecerá e faço uso de todas as palavras para dizer que no dia vinte e dois de dezembro de 1988 mataram Chico Mendes. Até porque é impossível uma pessoa morrer acidentalmente ou de causas naturais com um tiro de escopeta no peito.
Francisco Alves Mendes Filho, ou Chico Mendes, nasceu no Acre em 1944 e logo criança aprendeu o ofício de seringueiro com o pai. Chico só aprendeu a ler e escrever próximo de seus vinte anos. Já adulto, em 1975, tornou-se líder sindical. Dois anos depois consegue se eleger vereador, momento em que recebe suas primeiras ameaças de morte.
Chico Mendes ficava indignado com as condições de vida dos trabalhadores e moradores da região amazônica, foi defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros. Motivado, Chico organizou os trabalhadores e sob sua liderança a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão nacional e internacional. Adivinha quem não gostou disso? Quem lucrava, claro!
Em 1987, Chico Mendes recebeu a visita de representante da ONU que viram de perto a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros causada pela ganância dos grandes fazendeiros que recebiam financiamento de bancos internacionais. Isso pegou mal e os bancos cortaram os financiamentos. O desapropriamento do seringal de Darly Alves da Silva, deve tê-lo deixado muito bravo, e as ameaças a Chico Mendes ficaram freqüentes. Chico então botou a boca no trombone, denunciou publicamente os nomes dos prováveis responsáveis, pediu proteção, mas nada adiantou. Na data de hoje, Chico Mendes foi morto.
Em 1990 Darly Alves da Silva e Darcy Alves Ferreira foram condenados há dezenove anos de prisão. Darly fugiu em 1993, se escondeu num assentamento no INCRA sob nome falso, isso lhe rendeu mais dois anos de prisão quando foi capturado em 1996. Mas em 2007 a bonitona, a juíza Maha Kouzi Manasfi e Manasfi liberou o Sr. Darly para cumprir prisão domiciliar. É ou não é uma cagada histórica?
domingo, 12 de junho de 2011
A Problemática da Historiografia da América Pre-Colombiana
Por que só se conta uma História da América relatando fatos ou fenômenos ocorridos após 1492? Por que o que se sabe sobre os povos da América Pré-Colombiana é baseado em acha-dos pós-colombianos? Por que se tem uma historiografia americana com caráter eurocêntrico, com um olhar europeu, um juízo de valor europeu, com requintes de modernismo e lascilação da sociedade? São essas as perguntas que moverão este trabalho, não só essas perguntas, mas também as prováveis respostas para elas.
A história nos últimos séculos é, principalmente, a história da expansão da Europa Ocidental, que, ao constituir-se m núcleo de um novo processo civilizatório, se lança sobre os outros povos em ondas sucessivas de violência, de cobiça e de opressão. (RIBEIRO, p.47)
1492 foi o ano que marcou a história da humanidade, não por incidentes ocorridos no conti-nente europeu, mas pelo que ocorreu fora dele. A descoberta de um continente a oeste da Eu-ropa fez surgir um novo tipo de economia, não mais a economia de explorar as riquezas da terra, mas a exploração do capital humano lá existente. A escravidão há muito desaparecida iria retomar sua importância, uma nova política colonialista iria surgir.
Essa nova política foi impulsionada pelo metalismo e pelo bulionismo praticados pelos Estados imperiais europeus. A política metalista consiste na busca e acumulação de metais preciosos (ouro e prata) nas casas reais dos Estados europeus, o bulionismo vem a ser as políticas criadas por esses estados para fazer com que cada vez mais metais entrem e cada vez menos metais saiam desses Estados. Os Estados ibéricos exploraram como ninguém esses metais na América, e o fizeram com a falsa idéia de agentes civilizadores dos nativos. Isso já é sabido de todos. Mas, em que se sustenta esse caráter eurocêntrico dessa historiografia? Em que se baseiam os historiadores modernos sobre o tema? Porque não se tem uma história concisa sobre a América pré-colombiana? Porque os povos incas, maias e astecas não foram durante muito tempo tidos como civilizados?
A idéia da Europa como centro do mundo, pregada a princípio pelo Império Romano, e depois pela Igreja Católica chegou aos Estados Europeus, que nessa época se apresentavam apenas como Portugal e Espanha. Essa idéia passava uma mensagem que todos os outros continentes deveriam servir à Europa. Assim eles subjugavam as outras terras expandindo seus domínios políticos e ideológicos.
O faziam justificando-se como enviados de Deus para civilizar os ameríndios. Isso sem des-considerar um detalhe: havia uma lenda comum aos povos indígenas que deuses viriam do mar para dar-lhes fartura de alimentos e glórias nas batalhas. Isso sim contribuiu para uma dominação ideológica e política dos europeus sobre os ameríndios Houve uma passividade dos indígenas que acreditavam ser os europeus esses deuses.
Após a dominação houve uma construção da história da conquista da América, trata-se de narrativas, como La Conquista de México de D. Henán Cortez. A Carta de Descoberta do Brasil de Pero Vaz de Caminha, e uma obra que foi posteriormente intitulada La Conquista Del Paraíso, que foi baseada nos relatos de Cristovam Colombo acerca da descoberta da A-mérica. Essas narrativas mostram um olhar europeu sobra a América, são narrativas pessoais, muitos são transcrições de diários, ou seja, já começam selecionando os elementos a serem descritos e subjugando os povos nativos da América. Logo que descobriam os templos aos deuses nativos, os colonizadores trataram de destruir não só as pessoas, mas as cidades, tem-plos e locais sagrados, mantendo muito poucos conservados, apenas porque estes lhes traziam alguma importância, ou não conseguiram ser destruídos, ou simplesmente por que não foram descobertos.
Os europeus sequer esperavam encontrar seres humanos na América, os encontraram e os consideraram como selvagens, como animais em um estágio próximo ao do ser humano. Então decidiram por civilizá-los, adequá-los aos padrões europeus, dar-lhes uma religiosidade católica, roupas para cobrirem o corpo, disciplina de trabalho não como havia, o trabalho para manutenção da vida e da comunidade, mas um trabalho para a acumulação de bens, metais alimentos e terras. Aí se via mais uma justificativa para uma dominação ideológica. Além do catecismo, que seria uma compensação da perda de fiéis causada pela Reforma Protestante. A princípio não havia colônias, havia missões, estas tinham como principal função transformar os indígenas em nativos.
Logo que os conseguiram, trataram de escravizá-los, dar-lhes a disciplina européia de trabalho, caracterizada pelo trabalho capitalista, um trabalho sustentar outro que não o próprio tra-balhador. Não há dúvidas de que o catecismo contribuiu em muito com o colonialismo. Mas a questão pertinente é a questão historiográfica, é o porquê dessa historiografia que se tem de antes dessa colonização é tão precária, tão rarefeita. Uma das respostas é a questão do agente civilizador. Só se conta história quando se tem civilizações, e os colonizadores queria justificar sua dominação como civilizadores, colocando os ameríndios como bárbaros, ou seja, como não-civilizados.
Vale ressaltar que há dois critérios para que uma sociedade seja considerada como civilização, são eles a existência de cidades e a dominação de escritas. O que não foram observados em primeira instância, embora fossem constatadas depois a existências destes por historiadores modernos, por arqueólogos. Mas a historiografia americana já estava impregnada com a bar-barização dos nativos, e derrubar esse paradigma tornou-se uma tarefa árdua e difícil de ser aceita quer seja pelo público quer seja pela comunidade científica.
Quando um historiador de nossos dias decide estudar as sociedades pré-colombinas encontra um primeiro obstáculo: a pouca quantidade de fontes. Foram poucos os documentos poupados da destruição pelos conquistadores e as fontes imateriais, como os costumes e a língua foram suprimidos pelo modo de vida europeu imposto aos nativos pelos colonizadores. As aldeias e cidades, assim como os templos foram em sua maior parte destruídos, se não no momento da conquista, foram depois pelo catecismo ou pelo tempo, isso porque quase não sobraram pes-soas para dar a estes o devido cuidado.
As fontes que restaram são o que se chama de cultura material, pouquíssimos documentos em museus da Europa e Estados Unidos. Além dessas poucas fontes em museus, há as mais es-cassas, que são os templos e cidades, situados nas mais densas e distantes localidades, em florestas de difícil acesso ou sob as grandes cidades, como é comum na América Central. A-lém disso, as fontes escritas são inexistentes, foram feitas em matérias orgânicos, poços e con-táveis são os inscritos em pedra, que já estão corroídos pelo tempo e impossíveis de serem estudados.
A ainda há o problema dos relatos, muitas das histórias contadas pelos nativos se perderam com o tempo, há pouquíssimos relatos escritos, e no mais, os mesmos foram escritos por con-quistadores europeus. O que implica em um relato distorcido destas sociedades, destas civili-zações. Este vem a ser um dos maiores problemas da construção de uma História da América Pré-Colombiana, a falta de fontes diretas, o que faz desse historiador que tenta escrever essa história mais um arqueólogo do que um historiador de fato.
Então o historiador que mais é um arqueólogo tem de se esforçar para reconstruir uma história não documentada, cujos poucos vestígios quase todos se perderam e os relatos são quase ine-xistentes, se resumem a mitos lendas e epopéias. E esta se constitui de relatos fragmentados, isolados, deixando o seu trabalho cheio de lacunas, cheio de falhas, tornando-o subjetivo, tor-nando-o mais literatura que ciência, um trabalho onde ele tem de recriar e criar muitos fatos sem evidências provadas cientificamente.
Nota-se que o problema aparentemente não está na historiografia, está na história, é nela que está a estirpe dessa problemática, pois nela os relatos são construídos, nelas as fontes para a historiografia, para o trabalho do historiador, estão localizadas e é nela que ele as busca. A história da América Pré-Colombiana foi construída por europeus, por colonizadores, que se valeram do julgo de “trazedores da civilização” para esse continente. Tinham, para justificar sua dominação, de ignorar as civilizações aqui encontradas, destruir os “Estados” aqui encon-trados, se é que assim se podem chamar as instituições dos Incas, Maias e Astecas.
Tinham de ignorar o que encontraram na América, pois os sentimentos nacionalistas que os moviam faziam-nos declarar a Europa como o berço da civilização, que os europeus têm de levar essa civilização para o resto do mundo. Por isso esses colonizadores, ou melhor, esses conquistadores tinham de destruir as evidências que lembrassem e existência de civilizações anteriores à chegada deles. O problema aqui tratado não chega a ser um fato, é um tema não para pesquisa prática, mas para o estudo de teorias, de caso histórico. Não se deve perguntar o porquê não há uma História científica da América Pré-Colombiana, mas que fatores influenci-aram essa historiografia falha e cheia de lacunas que se tem a respeito desse período da história do mundo.
A história nos últimos séculos é, principalmente, a história da expansão da Europa Ocidental, que, ao constituir-se m núcleo de um novo processo civilizatório, se lança sobre os outros povos em ondas sucessivas de violência, de cobiça e de opressão. (RIBEIRO, p.47)
1492 foi o ano que marcou a história da humanidade, não por incidentes ocorridos no conti-nente europeu, mas pelo que ocorreu fora dele. A descoberta de um continente a oeste da Eu-ropa fez surgir um novo tipo de economia, não mais a economia de explorar as riquezas da terra, mas a exploração do capital humano lá existente. A escravidão há muito desaparecida iria retomar sua importância, uma nova política colonialista iria surgir.
Essa nova política foi impulsionada pelo metalismo e pelo bulionismo praticados pelos Estados imperiais europeus. A política metalista consiste na busca e acumulação de metais preciosos (ouro e prata) nas casas reais dos Estados europeus, o bulionismo vem a ser as políticas criadas por esses estados para fazer com que cada vez mais metais entrem e cada vez menos metais saiam desses Estados. Os Estados ibéricos exploraram como ninguém esses metais na América, e o fizeram com a falsa idéia de agentes civilizadores dos nativos. Isso já é sabido de todos. Mas, em que se sustenta esse caráter eurocêntrico dessa historiografia? Em que se baseiam os historiadores modernos sobre o tema? Porque não se tem uma história concisa sobre a América pré-colombiana? Porque os povos incas, maias e astecas não foram durante muito tempo tidos como civilizados?
A idéia da Europa como centro do mundo, pregada a princípio pelo Império Romano, e depois pela Igreja Católica chegou aos Estados Europeus, que nessa época se apresentavam apenas como Portugal e Espanha. Essa idéia passava uma mensagem que todos os outros continentes deveriam servir à Europa. Assim eles subjugavam as outras terras expandindo seus domínios políticos e ideológicos.
O faziam justificando-se como enviados de Deus para civilizar os ameríndios. Isso sem des-considerar um detalhe: havia uma lenda comum aos povos indígenas que deuses viriam do mar para dar-lhes fartura de alimentos e glórias nas batalhas. Isso sim contribuiu para uma dominação ideológica e política dos europeus sobre os ameríndios Houve uma passividade dos indígenas que acreditavam ser os europeus esses deuses.
Após a dominação houve uma construção da história da conquista da América, trata-se de narrativas, como La Conquista de México de D. Henán Cortez. A Carta de Descoberta do Brasil de Pero Vaz de Caminha, e uma obra que foi posteriormente intitulada La Conquista Del Paraíso, que foi baseada nos relatos de Cristovam Colombo acerca da descoberta da A-mérica. Essas narrativas mostram um olhar europeu sobra a América, são narrativas pessoais, muitos são transcrições de diários, ou seja, já começam selecionando os elementos a serem descritos e subjugando os povos nativos da América. Logo que descobriam os templos aos deuses nativos, os colonizadores trataram de destruir não só as pessoas, mas as cidades, tem-plos e locais sagrados, mantendo muito poucos conservados, apenas porque estes lhes traziam alguma importância, ou não conseguiram ser destruídos, ou simplesmente por que não foram descobertos.
Os europeus sequer esperavam encontrar seres humanos na América, os encontraram e os consideraram como selvagens, como animais em um estágio próximo ao do ser humano. Então decidiram por civilizá-los, adequá-los aos padrões europeus, dar-lhes uma religiosidade católica, roupas para cobrirem o corpo, disciplina de trabalho não como havia, o trabalho para manutenção da vida e da comunidade, mas um trabalho para a acumulação de bens, metais alimentos e terras. Aí se via mais uma justificativa para uma dominação ideológica. Além do catecismo, que seria uma compensação da perda de fiéis causada pela Reforma Protestante. A princípio não havia colônias, havia missões, estas tinham como principal função transformar os indígenas em nativos.
Logo que os conseguiram, trataram de escravizá-los, dar-lhes a disciplina européia de trabalho, caracterizada pelo trabalho capitalista, um trabalho sustentar outro que não o próprio tra-balhador. Não há dúvidas de que o catecismo contribuiu em muito com o colonialismo. Mas a questão pertinente é a questão historiográfica, é o porquê dessa historiografia que se tem de antes dessa colonização é tão precária, tão rarefeita. Uma das respostas é a questão do agente civilizador. Só se conta história quando se tem civilizações, e os colonizadores queria justificar sua dominação como civilizadores, colocando os ameríndios como bárbaros, ou seja, como não-civilizados.
Vale ressaltar que há dois critérios para que uma sociedade seja considerada como civilização, são eles a existência de cidades e a dominação de escritas. O que não foram observados em primeira instância, embora fossem constatadas depois a existências destes por historiadores modernos, por arqueólogos. Mas a historiografia americana já estava impregnada com a bar-barização dos nativos, e derrubar esse paradigma tornou-se uma tarefa árdua e difícil de ser aceita quer seja pelo público quer seja pela comunidade científica.
Quando um historiador de nossos dias decide estudar as sociedades pré-colombinas encontra um primeiro obstáculo: a pouca quantidade de fontes. Foram poucos os documentos poupados da destruição pelos conquistadores e as fontes imateriais, como os costumes e a língua foram suprimidos pelo modo de vida europeu imposto aos nativos pelos colonizadores. As aldeias e cidades, assim como os templos foram em sua maior parte destruídos, se não no momento da conquista, foram depois pelo catecismo ou pelo tempo, isso porque quase não sobraram pes-soas para dar a estes o devido cuidado.
As fontes que restaram são o que se chama de cultura material, pouquíssimos documentos em museus da Europa e Estados Unidos. Além dessas poucas fontes em museus, há as mais es-cassas, que são os templos e cidades, situados nas mais densas e distantes localidades, em florestas de difícil acesso ou sob as grandes cidades, como é comum na América Central. A-lém disso, as fontes escritas são inexistentes, foram feitas em matérias orgânicos, poços e con-táveis são os inscritos em pedra, que já estão corroídos pelo tempo e impossíveis de serem estudados.
A ainda há o problema dos relatos, muitas das histórias contadas pelos nativos se perderam com o tempo, há pouquíssimos relatos escritos, e no mais, os mesmos foram escritos por con-quistadores europeus. O que implica em um relato distorcido destas sociedades, destas civili-zações. Este vem a ser um dos maiores problemas da construção de uma História da América Pré-Colombiana, a falta de fontes diretas, o que faz desse historiador que tenta escrever essa história mais um arqueólogo do que um historiador de fato.
Então o historiador que mais é um arqueólogo tem de se esforçar para reconstruir uma história não documentada, cujos poucos vestígios quase todos se perderam e os relatos são quase ine-xistentes, se resumem a mitos lendas e epopéias. E esta se constitui de relatos fragmentados, isolados, deixando o seu trabalho cheio de lacunas, cheio de falhas, tornando-o subjetivo, tor-nando-o mais literatura que ciência, um trabalho onde ele tem de recriar e criar muitos fatos sem evidências provadas cientificamente.
Nota-se que o problema aparentemente não está na historiografia, está na história, é nela que está a estirpe dessa problemática, pois nela os relatos são construídos, nelas as fontes para a historiografia, para o trabalho do historiador, estão localizadas e é nela que ele as busca. A história da América Pré-Colombiana foi construída por europeus, por colonizadores, que se valeram do julgo de “trazedores da civilização” para esse continente. Tinham, para justificar sua dominação, de ignorar as civilizações aqui encontradas, destruir os “Estados” aqui encon-trados, se é que assim se podem chamar as instituições dos Incas, Maias e Astecas.
Tinham de ignorar o que encontraram na América, pois os sentimentos nacionalistas que os moviam faziam-nos declarar a Europa como o berço da civilização, que os europeus têm de levar essa civilização para o resto do mundo. Por isso esses colonizadores, ou melhor, esses conquistadores tinham de destruir as evidências que lembrassem e existência de civilizações anteriores à chegada deles. O problema aqui tratado não chega a ser um fato, é um tema não para pesquisa prática, mas para o estudo de teorias, de caso histórico. Não se deve perguntar o porquê não há uma História científica da América Pré-Colombiana, mas que fatores influenci-aram essa historiografia falha e cheia de lacunas que se tem a respeito desse período da história do mundo.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Assassinato de Osama bin Laden: mais um crime do imperialismo
Por: Jodinaldo de Lucena Ribeiro Sobrinho
Não há duvidas de que Osama bin Laden travou uma luta anti-imperialista contra os EUA. A mídia burguesa insiste em apresentar Osama como um terrorista lunático cujo único objetivo é travar uma ''guerra santa'' contra o mundo ocidental ''cristão''. Obscurece a verdadeira causa que levou a organização Al-Qaeda a lançar dois aviões sobre as torres do World Trade Center e desfechar uma serie de ataques sobre os países imperialistas.
É necessário fazer uma avaliação concreta da realidade sem a influência do moralismo pequeno-burguês para compreender as razões políticas desses conflitos. Os ataques da Al-Qaeda constituem uma reação do nacionalismo burguês em resposta à dominação imperialista sobre os países semicoloniais do Oriente Médio. Essas organizações nacionalistas fazem do terrorismo individual um método para reagir à opressão e dominação imposta aos seus países. A violência e a barbárie expressam a decomposição do regime capitalista na sua última etapa de desenvolvimento.
O imperialismo invade países, faz pilhagens, guerras, genocídios, pratica tortura aos opositores e submete a maioria dos países ao atraso econômico/social. Ora, a hipocrisia da burguesia imperialista não tem limites, não se condenam os crimes cometidos pelas potências imperialistas mas a reação dos países oprimidos. Existe uma distinção muito clara entre a violência do opressor e a reação do oprimido à violência. Enquanto o imperialismo cometer pilhagens, partilhar o mundo entre as potências e submeter a maioria dos países ao atraso haverá reação.
O terrorismo individual não pode derrotar o imperialismo
O imperialismo se fundamenta sobre as bases da propriedade privada dos meios de produção e se estrutura nos organismos internacionais de repressão, empresas multinacionais, centros de espionagem, milícias, aparatos governamentais etc. O terrorismo individual resulta apenas num suicidio político impotente, que por si só não pode derrubar regimes e organizar a maioria oprimida para tomar o poder. O idealismo pequeno-burguês é a semente do terrorismo individual. Os ataques a prédios governamentais, parlamentares e diplomatas de nada valem para tomar o poder político e derrubar as bases sobre as quais se ergue a dominação. Somente a organização e mobilização das massas oprimidas pela ação direta pode destruir a dominação imperialista.
O imperialismo é um regime de dominação internacional, não está circunscrito a este ou aquele país capitalista desenvolvido, mas compreende o conjunto de países imperialistas que constituem a dominação da classe burguesa. O terrorismo individual é somente um elemento que reflete a decomposição do regime capitalista.
Qual é a ''guerra contra o terror'' que a burguesia imperialista se refere?
O assassinato de Osama bin Laden não representa o fim do terrorismo individual para o imperialismo. O fato de ter assassinado Bin Laden não significa que o nacionalismo burguês dos países semicoloniais deixará de aflorar e terá um fim. A certeza da burguesia reside na convicção de que onde houver dominação haverá resistência. Os países imperialistas não estarão livres dos ataques enquanto permanecer sua dominação sobre o mundo.
A violência é um dos instrumentos de dominação utilizados para manter o poder político da classe burguesa. Centenas de homens como Osama bin Laden são assassinados a todo instante no mundo inteiro e este fato não é um caso isolado. Trate-se de uma prática comum que foi e será utilizada enquanto durar o modo de produção capitalista. A ''guerra contra o terror'', que, segundo a burguesia imperialista deve continuar, implica afirmar que a sua dominação de classe vai permanecer!
A burguesia não pode condenar Osama bin Laden baseada na sua moral de classe
A burguesia justifica que matar inocentes a sangue frio é um ato covarde e terrorista. Para a burguesia é um ato sujo e pecaminoso tirar a vida dos ''semelhantes''. Osama teria cometido este terrível pecado e de acordo com a justiça burguesa (divina) deveria pagar. E pagou. A própria vida foi o preço. A moral burguesa é tão contraditória quanto a sua própria dominação.
A burguesia que evoca a Bíblia para condenar seus opositores é a mesma que lança seus exércitos para invadir e bombardear países, atirar milhões de trabalhadores na miséria e matar outros bilhões de fome. Com a misericórdia divina e o fuzil da burguesia todos devem conviver ''pacificamente''. A burguesia não pode condenar Osama baseada na sua concepção de mundo. A violência práticada por Osama Bin Laden é a expressão de que o imperialismo conduzirá a humanidade a barbárie social!
Não há duvidas de que Osama bin Laden travou uma luta anti-imperialista contra os EUA. A mídia burguesa insiste em apresentar Osama como um terrorista lunático cujo único objetivo é travar uma ''guerra santa'' contra o mundo ocidental ''cristão''. Obscurece a verdadeira causa que levou a organização Al-Qaeda a lançar dois aviões sobre as torres do World Trade Center e desfechar uma serie de ataques sobre os países imperialistas.
É necessário fazer uma avaliação concreta da realidade sem a influência do moralismo pequeno-burguês para compreender as razões políticas desses conflitos. Os ataques da Al-Qaeda constituem uma reação do nacionalismo burguês em resposta à dominação imperialista sobre os países semicoloniais do Oriente Médio. Essas organizações nacionalistas fazem do terrorismo individual um método para reagir à opressão e dominação imposta aos seus países. A violência e a barbárie expressam a decomposição do regime capitalista na sua última etapa de desenvolvimento.
O imperialismo invade países, faz pilhagens, guerras, genocídios, pratica tortura aos opositores e submete a maioria dos países ao atraso econômico/social. Ora, a hipocrisia da burguesia imperialista não tem limites, não se condenam os crimes cometidos pelas potências imperialistas mas a reação dos países oprimidos. Existe uma distinção muito clara entre a violência do opressor e a reação do oprimido à violência. Enquanto o imperialismo cometer pilhagens, partilhar o mundo entre as potências e submeter a maioria dos países ao atraso haverá reação.
O terrorismo individual não pode derrotar o imperialismo
O imperialismo se fundamenta sobre as bases da propriedade privada dos meios de produção e se estrutura nos organismos internacionais de repressão, empresas multinacionais, centros de espionagem, milícias, aparatos governamentais etc. O terrorismo individual resulta apenas num suicidio político impotente, que por si só não pode derrubar regimes e organizar a maioria oprimida para tomar o poder. O idealismo pequeno-burguês é a semente do terrorismo individual. Os ataques a prédios governamentais, parlamentares e diplomatas de nada valem para tomar o poder político e derrubar as bases sobre as quais se ergue a dominação. Somente a organização e mobilização das massas oprimidas pela ação direta pode destruir a dominação imperialista.
O imperialismo é um regime de dominação internacional, não está circunscrito a este ou aquele país capitalista desenvolvido, mas compreende o conjunto de países imperialistas que constituem a dominação da classe burguesa. O terrorismo individual é somente um elemento que reflete a decomposição do regime capitalista.
Qual é a ''guerra contra o terror'' que a burguesia imperialista se refere?
O assassinato de Osama bin Laden não representa o fim do terrorismo individual para o imperialismo. O fato de ter assassinado Bin Laden não significa que o nacionalismo burguês dos países semicoloniais deixará de aflorar e terá um fim. A certeza da burguesia reside na convicção de que onde houver dominação haverá resistência. Os países imperialistas não estarão livres dos ataques enquanto permanecer sua dominação sobre o mundo.
A violência é um dos instrumentos de dominação utilizados para manter o poder político da classe burguesa. Centenas de homens como Osama bin Laden são assassinados a todo instante no mundo inteiro e este fato não é um caso isolado. Trate-se de uma prática comum que foi e será utilizada enquanto durar o modo de produção capitalista. A ''guerra contra o terror'', que, segundo a burguesia imperialista deve continuar, implica afirmar que a sua dominação de classe vai permanecer!
A burguesia não pode condenar Osama bin Laden baseada na sua moral de classe
A burguesia justifica que matar inocentes a sangue frio é um ato covarde e terrorista. Para a burguesia é um ato sujo e pecaminoso tirar a vida dos ''semelhantes''. Osama teria cometido este terrível pecado e de acordo com a justiça burguesa (divina) deveria pagar. E pagou. A própria vida foi o preço. A moral burguesa é tão contraditória quanto a sua própria dominação.
A burguesia que evoca a Bíblia para condenar seus opositores é a mesma que lança seus exércitos para invadir e bombardear países, atirar milhões de trabalhadores na miséria e matar outros bilhões de fome. Com a misericórdia divina e o fuzil da burguesia todos devem conviver ''pacificamente''. A burguesia não pode condenar Osama baseada na sua concepção de mundo. A violência práticada por Osama Bin Laden é a expressão de que o imperialismo conduzirá a humanidade a barbárie social!
- Viva a resistência dos povos oprimidos! Viva Osama Bin Laden assassinado pelo imperialismo!
terça-feira, 3 de maio de 2011
Árvore da Liberdade: Aos que dizem serem os nordestinos a causa maior d...
Árvore da Liberdade: Aos que dizem serem os nordestinos a causa maior d...: "Por: Everton Marques de Carvalho Esse texto é um desabafo. Desabafo contra o vírus do paulistocentrismo, vírus este que subju-ga a outras..."
domingo, 1 de maio de 2011
Canto para minha morte
Composição : Raul Seixas / Paulo Coelho
Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...
Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...
Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...
Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Aos que dizem serem os nordestinos a causa maior do atraso sócio-econômico do Brasil
Por: Everton Marques de Carvalho
Esse texto é um desabafo. Desabafo contra o vírus do paulistocentrismo, vírus este que subju-ga a outras regiões em prol de uma identidade regional que se resume a depreciar os que a ela não pertencem, e enaltecem de forma fajuta o progresso do centro-sul do país.
Não poucas vezes é encontrado vagando pela internet textos, comunidades ou fóruns em por-tais de relacionamento ou blogs que acusam os nordestinos de serem o câncer da população brasileira, de serem a causa maior de todo o atraso que assola o Brasil.
Como se não bastasse colocam os nordestinos como responsáveis por tudo de mau que acon-tece ao país e até pregam um novo holocausto – o termo holocausto tem sido usado ultima-mente apenas para referir-se ao genocídio cometido pelos nazistas contra os judeus, aqui é empregado em um contexto diferente, mas com o mesmo objetivo, o de fazer uma limpeza étnica, eliminando da população brasileira os nordestinos – ou uma deportação, uma expulsão dessa importantíssima parcela de nossa população para o lugar de onde vieram. Há quem diga que o nordestino é um povo tão atrasado que aqui o processo de independência se deu de for-ma mais lenta, mais demorada. Só que aí o buraco é mais embaixo.
Sabendo, pois que o processo de independência empreendido por José Bonifácio e D. Pedro primeiro se deu pela via burocrática, embora seja questionável – uma vez que D. Pedro I era o herdeiro por direito do trono de Portugal, era português, iria unir os dois impérios após a mor-te de seu pai, iria, portanto, manter toda a estrutura colonial portuguesa – se deu por lá de forma mais rápida. Enquanto no Nordeste o processo de independência começa somente com a Revolta dos Búzios, ou dos Alfaiates, ou Conjuração (ou Inconfidência) Baiana, ocorrida em 1789 panfletava pela capital baiana clamores de independência, de mudança, de um desejo popular de expulsão dos invasores portugueses. Iniciando em junho de 1822 uma luta armada, empreendida por brasileiros, sertanejos, homens de grosso trato, homens que lutavam não pelos próprios interesses, mas por um interesse de liberdade.
De fato o processo de independência, consumado apenas em 1823 com a vitória dos brasilei-ros no dia 2 de julho se deu com um certo atraso, mas se deu nos braços do povo, e o povo brasileiro foi homenageado como símbolos dessa luta, o caboclo e a cabocla, símbolo da uni-ão de africanos, indígenas e mestiços contra o invasor europeu, e não o príncipe regente de Portugal, uma vez que os sulistas sequer se preocuparam em escolher um brasileiro de fato para ser herói da independência.
Vale lembrar que foi daqui do Nordeste que saíram nomes como Joana Angélica, Maria Qui-téria, Antonio de Castro Alves, importantíssimos para o processo de independência do pais; escritores como Jorge Amado, Guimarães Rosa, José de Alencar, Gregório de Matos e Gilber-to Freyre, homens de fundamental importância para a construção da Identidade Histórica do brasileiro. E o que dizer de Galuber Rocha, Ariano Suassuna, Tom Cavalcante, e Guel Arraes, que trataram de dar um pouco de descontração a um povo marcado pelo sofrimento de produ-zir em uma terra inerte e construir a riqueza dos que agora repudiam-nos e depreciam-nos.
Na política, se destacam nomes como Deodoro da Fonseca, responsável por tornar o Brasil uma República, Ernesto Simões Filho e Anísio Teixeira, que se juntam a Paulo Freyre na ten-tativa de levar educação e cidadania aos brasileiros até então desprovidos desses direitos. E o que dizer de nosso presidente Luís Inácio da Silva, que se construiu politicamente como um homem do povo e governou pelo povo e para o povo, tirando do país a nuvem de atraso sócio-econômico que os governos sulistas e elitistas fizeram parar sobre o Brasil.
O câncer da população brasileira, como os paulistas se referem aos nordestinos trabalhou na construção das indústrias e das cidades sulistas, construíram a Capital Federal, trabalharam e ainda trabalham no chão das fábricas que constroem a riqueza não só de São Paulo, mas de todo o Brasil.
É melhor os que gostam de depreciar os nordestinos terem mais respeito pelos que fizeram e ainda fazem o Brasil ser o que é.
Esse texto é um desabafo. Desabafo contra o vírus do paulistocentrismo, vírus este que subju-ga a outras regiões em prol de uma identidade regional que se resume a depreciar os que a ela não pertencem, e enaltecem de forma fajuta o progresso do centro-sul do país.
Não poucas vezes é encontrado vagando pela internet textos, comunidades ou fóruns em por-tais de relacionamento ou blogs que acusam os nordestinos de serem o câncer da população brasileira, de serem a causa maior de todo o atraso que assola o Brasil.
Como se não bastasse colocam os nordestinos como responsáveis por tudo de mau que acon-tece ao país e até pregam um novo holocausto – o termo holocausto tem sido usado ultima-mente apenas para referir-se ao genocídio cometido pelos nazistas contra os judeus, aqui é empregado em um contexto diferente, mas com o mesmo objetivo, o de fazer uma limpeza étnica, eliminando da população brasileira os nordestinos – ou uma deportação, uma expulsão dessa importantíssima parcela de nossa população para o lugar de onde vieram. Há quem diga que o nordestino é um povo tão atrasado que aqui o processo de independência se deu de for-ma mais lenta, mais demorada. Só que aí o buraco é mais embaixo.
Sabendo, pois que o processo de independência empreendido por José Bonifácio e D. Pedro primeiro se deu pela via burocrática, embora seja questionável – uma vez que D. Pedro I era o herdeiro por direito do trono de Portugal, era português, iria unir os dois impérios após a mor-te de seu pai, iria, portanto, manter toda a estrutura colonial portuguesa – se deu por lá de forma mais rápida. Enquanto no Nordeste o processo de independência começa somente com a Revolta dos Búzios, ou dos Alfaiates, ou Conjuração (ou Inconfidência) Baiana, ocorrida em 1789 panfletava pela capital baiana clamores de independência, de mudança, de um desejo popular de expulsão dos invasores portugueses. Iniciando em junho de 1822 uma luta armada, empreendida por brasileiros, sertanejos, homens de grosso trato, homens que lutavam não pelos próprios interesses, mas por um interesse de liberdade.
De fato o processo de independência, consumado apenas em 1823 com a vitória dos brasilei-ros no dia 2 de julho se deu com um certo atraso, mas se deu nos braços do povo, e o povo brasileiro foi homenageado como símbolos dessa luta, o caboclo e a cabocla, símbolo da uni-ão de africanos, indígenas e mestiços contra o invasor europeu, e não o príncipe regente de Portugal, uma vez que os sulistas sequer se preocuparam em escolher um brasileiro de fato para ser herói da independência.
Vale lembrar que foi daqui do Nordeste que saíram nomes como Joana Angélica, Maria Qui-téria, Antonio de Castro Alves, importantíssimos para o processo de independência do pais; escritores como Jorge Amado, Guimarães Rosa, José de Alencar, Gregório de Matos e Gilber-to Freyre, homens de fundamental importância para a construção da Identidade Histórica do brasileiro. E o que dizer de Galuber Rocha, Ariano Suassuna, Tom Cavalcante, e Guel Arraes, que trataram de dar um pouco de descontração a um povo marcado pelo sofrimento de produ-zir em uma terra inerte e construir a riqueza dos que agora repudiam-nos e depreciam-nos.
Na política, se destacam nomes como Deodoro da Fonseca, responsável por tornar o Brasil uma República, Ernesto Simões Filho e Anísio Teixeira, que se juntam a Paulo Freyre na ten-tativa de levar educação e cidadania aos brasileiros até então desprovidos desses direitos. E o que dizer de nosso presidente Luís Inácio da Silva, que se construiu politicamente como um homem do povo e governou pelo povo e para o povo, tirando do país a nuvem de atraso sócio-econômico que os governos sulistas e elitistas fizeram parar sobre o Brasil.
O câncer da população brasileira, como os paulistas se referem aos nordestinos trabalhou na construção das indústrias e das cidades sulistas, construíram a Capital Federal, trabalharam e ainda trabalham no chão das fábricas que constroem a riqueza não só de São Paulo, mas de todo o Brasil.
É melhor os que gostam de depreciar os nordestinos terem mais respeito pelos que fizeram e ainda fazem o Brasil ser o que é.
Assinar:
Postagens (Atom)