Frase da semana

A manifestação popular é a legitimação da democracia (Dilma Roussef)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Entre o Caos e o Pandemônio


2012 começa bem para os brasileiros, mais um BBB, mais ministros demitidos pela Dilma, mais crise econômica na Europa, mais crise política no mundo árabe. Em terras brasílicas um estupro que se foi de fato ninguém sabe ninguém viu, a Luísa está de volta, a PM da Bahia está em greve, e o pintinho piu.
Essa é a parte do aos, o pandemônio viça para a trágica, tríade do terceiro trimestre: agosto setembro e outubro, e para complementar tamanho absurdo, no final do décimo mês ainda tem segundo turno. Só em Cachoeira o cabo eleitoral do candidato da situação prometeu entregar mais de 70 obras, em oito meses. Será que dá tempo? Talvez sim, assim como os estádios para a Copa de 2014 e o metro de Salvador.
Para nossa sorte, a eleição acaba em outubro, o BBB em abril, e enquanto o povo se mata nas ruas: além de bala perdida, tem banheiro explodindo, e já virou joguinho de computador e chegou em São Paulo, a chuva na região serrana do Rio e na Zona da Mata mineira, agora só em janeiro de 2013, provavelmente mais um imposto será criado, certamente a CPC, Contribuição Provisória para a Copa.
Enquanto isso a crise continua, a banda toca, a banda explode e o povo... continua sorrindo, tem Campeonato Brasileiro, Libertadores (Será que o Corinthians vai finalmente ser campeão?) e político roubando, encosta deslizando, e como se diz no interior da Bahia, o fumo entrando, e vamos pra mais um ano.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O QUE DEVE SER ENSINADO NOS ENSINOS FUNDAMENTAL E MÉDIO?[1]


Por: Everton Marques de Carvalho[2]

Antes de começar a estudar sobre Ensino de História tinha a concepção de que “o Ensino de História era uma disciplina que deveria tratar de como deve ser a aula de História, de como o professor deve moldar os conteúdos estipulados pelo planejamento e pelo currículo escolar para torná-los agradáveis aos estudantes”.
Noto que essa era uma concepção diferente (para não dizer errada). Os textos lidos e comentados em sala de aula, as orientações do professor, e as leituras autônomas, mas orientadas, me mostraram que essa minha concepção sobre Ensino de História precisava ser reformulada.
O Ensino de História deve ter como objeto de pesquisa as temáticas trabalhadas na sala de aula. Partindo da concepção da História Social Vista de Baixo, de que a função da História é dar a quem a estuda uma noção de identidade (SHARPE, 1992), e da proposta de Nicholas Davies (As camadas populares nos livros de História do Brasil, 1997), que propõe um ensino de História que tenha a função de prover os estudantes de um conhecimento que seja capaz de melhorar a sociedade a qual vivem.
Somando essas concepções prévias sobre ensino de História, com o que foi explanado até agora na disciplina, percebo que o Ensino de História tem como objeto as temáticas abordas nas aulas de História, os conteúdos, o que deve ser trabalhado especificamente dentro de cada conteúdo, esse deve ser o objeto de estudo do Ensino de História enquanto disciplina acadêmica, enquanto campo de estudo.
Outra conclusão que os estudos que até agora foram realizados na disciplina permitem fazer é a proposta por Nicholas Davies (As camadas populares nos livros de História do Brasil, 1997), que propõem uma aula de História (nas escoas de Ensinos Fundamental e Médio) na qual o temas trabalhados sejam pertinentes  à classe social dos estudantes, que os grandes movimentos sociais sejam estudado tendo em vista a participação das pessoas da classe social dos estudantes.
Isso faz com que os estudantes, principalmente os oriundos das classes média-baixa e baixa, classes que acabam por ser excluidas da cena histórica, se sintam sujeitos ativos, portadores de História, criando assim, como propõe Jim Sharpe, uma identidade histórica, e um consequente gosto pelo estudo da História e consequentemente pelas outras disciplinas acadêmicas a qual tem de estudar.


Referências

DAVIES, Nicholas. “As camadas populares nos livros de História do Brasil.” Pinsky, Jaime (Org.). O Ensino de História e a criação do fato. 7ª Ed. São Paulo: Contexto, 1997. pp. 93-104.
SHARPE, Jim. “A História vista de baixo.” BURKE, Peter (Org.). A escrita da História: novas perspectivas. Trad. Magda Lopes. São Paulo: Editora Unesp, 1992. pp. 39-62.



[1] Atividade avaliativa apresentada à Disciplina Laboratório de Ensino de História, ministrada pelo Professor Sérgio Armando Diniz Guerra Filho, no 5º período da Licenciatura em História da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
[2] Graduando em História pela UFRB, em Pedagogia pela Faculdade Adventista da Bahia,
e-mail: everton.mdecarvalho@yahoo.com.br.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

BIG BROTHER BRASIL UM PROGRAMA IMBECIL.

Autor: Antonio Barreto

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

Aula de Democracia ministrada pelo PSDB e pelo PSD no Pinheirinho-SP

Cansado de ser pupilo de Serra e Alckmin, que vai aos poucos se perpetuando como governador de São Paulo, o prefeito da cidade de São Paulo Gilberto Kassab saiu do PSDB, Partido da Social DEMOCRACIA Brasileira e fundou o PSD, Partido Social DEMOCRATA. Mas de social e democrata os partidos acima citados não têm nada. As ações do aparelho coercitivo do Estado, a Polícia, mostram o caráter elitista e exclusivista dos governos de Alckmin e Kassab. Os rapas, ações da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana contra ambulantes, e as ações de reintegração de posse servem apenas para beneficiar os grandes empresários, principais cabos eleitorais do PSDB.
O uso da força já se tornou comum contra populares em SP, pessoas que trabalham informalmente, que buscam o pão muitas vezes clandestinamente porque o Estado não oferece meios de consegui-lo legalmente; sem-tetos, que por não terem emprego fixo, e serem oprimidos quando na informalidade não conseguem uma moradia, tampouco o terreno porque a maioria está sob propriedade das grandes empresas, e os demais estão em áreas de risco.
Inúmeras comunidades com a do Pinheirinho são desocupadas à força, em ações nas quais os pertences, documentos dos moradores são desconsiderados, muitas casas foram derrubadas pelas retro-escavadeiras sem que os moradores houvessem tirado seus pertences, e nisso se vai meses, anos de trabalho, todo um investimento de uma vida, de pessoas que foram excluídas das benesses do Estado de Bem-Estar Social empreendido pelos partidos de extrema direita no Brasil, a saber, PFL, atual DEMO, PSDB e agora o PSD.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem diz que Todos os seres humanos têm direito à moradia, e o que mais se nota onde há uma predominância de governos de direita é um número cada vez maior de desabrigados, moradores de rua, desempregados. No Brasil não é diferente, e uma corrente política que combate os comunistas por privarem o direito de ir e vir, privatizam rodovias e linhas de trem, e privam de muitos o direito à alimentação, trabalho, remuneração digna e moradia. E se bem estudarmos, perceberemos que Democracia é bem mais que escolher os governantes de maneira direta ou indireta. É poder ir, vir, comer, beber, morar, estudar; é ter segurança, saúde, trabalho, liberdade para comprar, consumir; é ter acesso à informação, poder cobrar dos governantes e ter acesso a seus diretos. O que, para muitos, não tem ocorrido onde prevalecem os governos de direita, principalmente no sudeste do Brasil, onde predominam o PSDB, o DEMO e o PSD.

Bandidos aterrorizam Governador Mangabeira durante assalto ao Banco do Brasil*

Aproximados cinco elementos a bordo de um carro não identificado invadiram a cidade por volta de 01h00 da madrugada dessa quinta-feira e foram em direção ao Banco do Brasil onde tentaram assaltar a agência do município. Entretanto no momento da ação o Srº Alvino Gonzaga, com idade aproximada aos 45 anos que trabalhava como “vigilante das ruas” (Um cidadão que sai apitando durante as madrugadas, como de costume nas pequenas cidades do recôncavo. Esse profissional tem salário pago pelos próprios moradores dos bairros da cidade, onde funciona o serviço), passando pelo local, presenciou o suposto assalto, quando tentou fugir, foi alvejado com três tiros vindo a óbito.
A Polícia Militar foi acionada por moradores que ouviram os disparos, porém a viatura estava em diligência em Cachoeira e ao chegar não encontrou mais os bandidos que fugiram em sentido ignorado. A Polícia Técnica encontra-se periciando o local, o valor roubado não foi informado. Um pé de cabra e luvas foram deixados no local

*Reportagem extraída do site Voz da Bahia, feita por Fábio Santos, no dia 26 de janeiro de 2012, http://www.vozdabahia.com.br/index/blog/id-25397/bandidos_aterrorizam_governador_mangabeira_durante_assalto_ao_banco_do_brasil

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um país que declara guerra aos miseráveis

Por Jodinaldo de Lucena  Sobrinho

        Quando os escravos decidiram por sua liberdade, resistindo durante décadas, no Quilombo dos Palmares, as forças repressoras a serviço de Portugal, desfecharam brutal ataque contra os negros. Os senhores de engenho não toleravam que escravos negros tivessem direito de lutar pela sua liberdade, deviam viver recatadamente sob estupros, cacetadas e chicotes. A história do Brasil está cheia de relatos de construção de núcleos de povoamento como focos de resistência.    
            Os sertanejos, cansados de ter seu gado roubado pelos coronéis, suas terras serem tomadas, de sofrerem os abusos cometidos pela polícia dos latifundiários, levantaram sua própria cidade em 1893 (O Belo Monte), seu nome entraria para a história como ‘’Arraial de Canudos’’, atribuído pelos inimigos. A intelectualidade do país argumentava que era uma ‘’raça inferior’’, gente suja, fanática, pobre e analfabeta. A burguesia não aceitava que sertanejos vivessem trabalhando para sustentar a si mesmo e suas famílias, deveriam viver sob os ditames dos coronéis. A heróica resistência de Canudos, impondo várias derrotas às forças regulares do exército, pôde demonstrar que um povo humilde do sertão pode sonhar, lutar e impor derrotas humilhantes aos opressores. O Arraial de Canudos foi destruído pelo governo brasileiro, mas a luta dos sertanejos não acabou.
            Os moradores das favelas vivem hoje sob intensa violência policial. A juventude pobre não tem perspectivas de futuro, desempregada, mal instruída, não lhes restando outra alternativa a não ser engrossar as celas das penitenciárias ou a de serem vítimas de um homicídio.  O fato é que ser jovem, pobre e desemprego no Brasil é considerado crime pela polícia. A maior parte das vítimas de homicídio se encaixa neste perfil. Seria apenas mera coincidência?
            A ideologia do ‘’vagabundo’’, ‘’marginal’’ serve como subterfúgio para condenar os que vivem na desgraça, aliás, na história deste país os que vivem na desgraça sempre foram os culpados por tudo. A mídia justifica os crimes cometidos pela chamada força pública e endeusa como mártires, (‘’heróis’’) aqueles que tombaram matando muitos ‘’vagabundos’’. Cria-se a imagem de que os habitantes das periferias são perigosos, dali surgem os ‘’inimigos da sociedade’’ e não se fala da violência que a sociedade causa todos os dias aos moradores das favelas!
            Os filhos dos pobres são aqueles que estudam nas piores escolas públicas, conhecem de perto a fome, discriminação, desrespeito e violência. As escolas públicas estão abandonadas, de nada servem na preparação intelectual da juventude, que não pode entender para que serve uma escola que não lhes ensina nada a não ser tomar seu tempo de vida. É por isso que os alunos já entram na escola pensando no horário de saída, por que essa escola é um fardo, é anticientífica. O ensino brasileiro é legitimador de preconceitos, ideologicamente a serviço da classe dominante e embrutecedor das faculdades mentais.  
           
A ‘’escória’’ do sistema é jogada nos campos de concentração
            As prisões brasileiras são campos de concentração capazes de causar horror a qualquer nazista, deixando-lhes o cabelo arrepiado. São jovens que não terminaram o ensino fundamental constituindo maioria da população carcerária. A parcela considerada perigosa é jogada nas piores condições de existência que até os defensores dos direitos dos animais preferem ignorar.
            O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo (500.000 detentos) vivendo amontoados, sendo violentados, comendo e dormindo mal como seres bestializados. Sujeira, umidade, péssima comida, sem luz e pouca ventilação, vivem nessas condições porque a violência sempre foi um instrumento usado pelo Estado para resolver conflitos. Assim, a militarização é uma tendência que desponta quando a crise social recrudesce não poupando nem as escolas. 
            O capitalismo criou as prisões modernas. É a forma de punição burguesa que criou as imensas cadeias para prender aqueles que consideram como imprestáveis para a produção. Aqueles que não têm especialização alguma, tornando-se inúteis, cuja força de trabalho não pode ser usada são lançados nas prisões para que morram ou passem longos anos de sua vida nessa condição, uma vez que a manutenção dessa condição custa pouco e rende ‘’bons resultados’’. 
            Na história da humanidade existiram várias formas de punição. Muitas vezes os transgressores eram expulsos da comunidade, aos crimes mais hediondos a punição era a morte, cabendo-lhe o direito de fugir. Geralmente o roubo de uma cabra ou de pequenos objetos era resolvido pelos próprios moradores ou por um tribunal constituído por estes. Tudo era resolvido dentro da própria comunidade. A prisão moderna tem funções completamente distinta dessas porque corresponde a uma sociedade que atribui ao Estado a competência de julgar, onde supostamente a vontade do povo estivesse expressa nas leis.  
            Não foi sem uma justificativa ideológica que a burguesia conseguiu colocar milhares de pessoas nas cadeias. Seus intelectuais criaram a farsa da ‘’recuperação’’ para lançar jovens dentro de prisões para ‘’reeducá-los’’ a viver em coletividade. Ainda se justifica isso para detenção de crianças e adolescentes, atribuindo sempre um nome doce (‘’Casa do menor’’, ‘’Centro Educativo’’ etc.) para as cadeias que prendem menores não diferindo em absolutamente das outras. Quais são os instrumentos e métodos usados para os educar? Bastante tortura e pauladas na cabeça!
            Os empresários da fé defendem que a cadeia seja instrumento da sua piedade cristã, chamadas docilmente de ‘’penitenciárias’’, para inculcar-lhes que estão ali pagando seus pecados. 

Sem teto, sem terra e sem emprego
            Milhões de camponeses não tem direito à propriedade da terra. São empurrados aos centros urbanos em busca de trabalho, engrossando os bolsões de miséria nas cidades. Milhões de famílias vivem em habitações precárias: são barracos de lona nos morros, casebres a beira dos rios, embaixo de pontes, viadutos e até jogados na rua. Essa camada não tem emprego, conhece de perto a fome, vive angustias, medo e violência de toda sorte.
            O problema da moradia não será resolvido com políticas de habitação, construção de casas etc., porque tem suas raízes fincadas na diferença entre campo e cidade, numa zona urbana industrialmente desenvolvida e num campo submetido às relações de dependência. Estas raízes estão fincadas num desenvolvimento desigual e combinado, que conservam grandes contrastes como atraso e desenvolvimento coexistindo.
            Está demonstrado que a política de assentamentos não constitui reforma agrária, essa política de desapropriação de terras via indenização, processos judiciais etc., fracassou. A burguesia lança a culpa desse fracasso nos próprios trabalhadores que recebem a terra, vendem e voltam para cidade. O fato é que a burguesia não faz reforma agrária no Brasil porque isso implica em transformações nas relações de produção, está muito além da política de concessão de pequenas propriedades de terra via Estado.



A escravidão do salário mínimo
            O trabalhador vive miseravelmente com um salário mínimo de fome. As vezes é única renda de uma família, obrigando todos os membros da casa a buscarem emprego em atividades informais. Hipocritamente se condena o trabalho infantil, mas não se diz nada a respeito do regime de trabalho assalariado que joga milhões na miséria. Despesas como transporte, água, luz e comida são insustentáveis com uma renda tão baixa.
             A oferta, por parte do governo, de mão-de-obra barata é um incentivo para atrair as multinacionais ao país. A força de trabalho deve ser vendida a um preço que atenda aos especuladores internacionais. Cresce a massa de trabalhadores desempregados, engrossando as fileiras de um gigantesco exército de reserva. Quem não encontra trabalho se submete a toda sorte de atividades humilhantes, para não viverem jogados na sarjeta. Os que não conseguem nada vão pedir esmolas, roubar e viver viciado na droga até que um dia a polícia resolva a questão a seu modo...
            O trabalho assalariado é o regime mais eficiente de dominação, porque o trabalhador pensa que é livre para escolher o que fazer. O opressor não é mais o Senhor feudal ou o dono de escravos o qual se pode ver e identificar; no regime do trabalho assalariado o opressor é toda classe dominante, a burguesia. Mas o trabalhador só consegue viver na medida que o patrão aceite comprar sua força de trabalho em troca de salários, ou seja, o trabalhador pode ser descartado na hora que a classe de proprietários assim o desejar.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os empresários da fé e o lucrativo negócio das almas no Brasil

Os empresários da fé e o lucrativo negócio das almas no Brasil

Por Jodinaldo de Lucena Sobrinho
           
            O Brasil é um país com profundas desigualdades sociais, marcado por desequilíbrios regionais, onde o desenvolvimento capitalista se deu de forma tardia em relação às potências. O falso discurso do pretenso ‘’progresso’’ contrasta com a dura realidade de 50 milhões de brasileiros vivendo na miséria (aproximadamente 1/4 da população). O fantasma do analfabetismo persegue 14 milhões de pessoas e grande parte da população não consegue compreender o significado de um pequeno texto. O desemprego e a violência marcam a vida da juventude sem perspectivas de futuro, engrossando uma enorme população carcerária, vivendo em campos de concentração capazes de deixar qualquer nazista de cabelo arrepiado.  
            Um país com essas características, marcado por um desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo, em que a riqueza e o atraso coexistem, tornou-se um celeiro fértil para difusão de um poderoso mercado religioso, concentrando nas mãos dos empresários da fé grande poder político e econômico. As igrejas funcionam como empresas cuja missão consiste em bestializar trabalhadores a serviço de empresários religiosos. O vertiginoso crescimento do protestantismo é o indicador que pode atestar o sucesso da propaganda neopentecostal no sentido de arregimentar almas para as fileiras desse promissor mercado de picaretas da fé.

Cenário político: empresários da fé atuando nos bastidores

            No cenário econômico o empresariado da fé já detém canais de TV, rádio, gravadoras, editoras, escolas, universidades e o capital oriundo do mercado das almas já penetra em todos os poros da sociedade capitalista. No parlamento, os religiosos constituíram uma Bancada Evangélica para fazer lobby, cujos interesses escusos estão, inclusive, a revelia das reais necessidades das ‘’almas’’, não se diferenciando, por exemplo, de uma bancada de ruralistas (latifundiários).
            Os executivos da fé utilizam a sua poderosa máquina de propaganda para perseguir politicamente os movimentos sociais (movimento LGBT), desfechando todo seu ódio e homofobia contra os homossexuais. Não tardará o dia em que seus holofotes se voltarão para perseguir os demais oprimidos da sociedade. Lançam mão de grande poder político e econômico para impor seus interesses a toda sociedade. As figuras parlamentares não passam de simples marionetes nas mãos dos ‘’pescadores de almas’’.

Investir pesado no marketing é o segredo do sucesso
            O pastor/empresário sabe que apenas com o dízimo minguado dos fiéis não se pode manter uma máquina gigantesca que são as empresas. As igrejas não são as únicas fontes de recursos, existe um amplo leque de empresas que sustentam o luxo e suntuosidade dos bufões que precisam de bom ambiente para relaxar, enquanto planejam métodos eficientes de pescar almas.
            Milhões de reais são revertidos em propagandas para expansão dos mercados, os tradicionais truques do mercado capitalista como investimento, propaganda e derrubada dos concorrentes são os métodos aplicados para aumentar a influência. 

É necessário derrubar o concorrente
            Para manter o controle dos dízimos e ofertas, para assegurar que o dinheiro não seja desviado por nenhum picareta subalterno no meio do caminho, as altas cúpulas impõem nas igrejas uma rígida hierarquia de funções: diáconos, contadores, tesoureiros, etc., tudo para ter certeza de que a encomenda milionária chegará a suas mãos.
            Mas as empresas da fé também formaram especialistas em pescar almas no quintal dos outros. Como os pastores não podem invadir as igrejas de seus adversários para pescar as almas do concorrente, os missionários passam de casa em casa, disputando corpo-a-corpo, os fiéis. Mas isso não é o suficiente, como se não bastasse, é necessário fazer as cerimônias religiosas no meio da rua, com potentes caixas de som abordam os transeuntes desavisados e toda vizinhança. 

Um discurso eficiente e a promessa de um futuro promissor (no céu)
            Conscientes dos aspectos sociais e econômicos que afligem a população os empresários de fé, munidos de técnicas psicológicas, lançam discursos esperançosos, sustentando que todos os problemas serão resolvidos de maneira sobrenatural. 
            Curas, solução para conflitos no lar, dor, cansaço etc., são os artifícios utilizados para convencer, de maneira bastante sedutora, os desavisados que estão apostando em qualquer coisa para resolver seus problemas por meio da fé. A maioria dos discursos segue esta lógica de raciocínio e se aproveitam das mazelas da sociedade para utilizá-las como instrumento no recrutamento daqueles que sofrem. As igrejas crescem apostando na desgraça dos outros e na infelicidade de suas almas para mantê-las aprisionadas na crença de um futuro feliz após a morte. 

Materialistas para deus, idealistas para os fieis
            Supostamente deus seria o dono de tudo, ‘’criador’’ de todas as coisas, mas porque ele precisa de 10% de toda renda de seus seguidores para manter a regalia de sultão dos pastores? Tal pergunta é meio embaraçosa para aqueles que vivem pregando contra o materialismo, mas vivem à custa do trabalho alheio. Enquanto que boa parte das almas vive em condições de miséria social os funcionários divinos desfrutam de boas condições materiais de existência.

‘’A religião é o ópio do povo’’.

Natal, 04 de dezembro de 2011

Contato: jodinaldolucena@hotmail.com