Frase da semana

A manifestação popular é a legitimação da democracia (Dilma Roussef)

quarta-feira, 7 de março de 2012

ONU elogia combate ao tráfico em favelas no Brasil


Maurício Moraes
Da BBC Brasil em São Paulo
Na contramão da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, a Comissão Global de Política sobre Drogas defende a descriminalização do consumo de narcóticos e diz que o maior efeito da luta anti-drogas foi aumentar a violência no mundo.
A comissão, presidida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e integrada por outros notáveis como os ex-presidentes da Colômbia, César Gaviria, e do México, Ernesto Zedillo, diz que a guerra contra as drogas, da foma como é travada hoje, é um esforço perdido.
Assessor especial de FHC e coordenador do Secretariado da comissão, o diplomata Miguel D’Arcy diz que é "preciso mudar a perspectiva moralista e focar em uma visão de saúde pública".
Porta-voz da comissão, D’Arcy diz que "o grande beneficiário da política proibitiva é o traficante", e não o cidadão, a quem tais políticas teriam como objetivo proteger.
Leia a entrevista.
BBC Brasil – Como o senhor classifica a política para drogas que hoje predomina no mundo?
Miguel D’Arcy – No momento em que vários presidentes latino-americanos abrem a discussão para a descriminalização do consumo de drogas, muitas organizações ainda promovem uma política meramente repressiva, que é ineficaz e precisa ser mudada.
Agências importantes da ONU como a OMS (Organização Mundial de Saúde) e o Alto Comissariado de Direitos Humanos têm consciência de que a política repressiva traz consigo um aumento no poder do narcotráfico, violações de direitos humanos e o enfraquecimento da governança democrática.
Já outras agências como a Junta (Internacional de Fiscalização) de Entorpecentes mantêm uma linha dura, em total dessintonia com as discussões atuais, o que provoca uma esquizofrenia no sistema das Nações Unidas, que não fala uma voz única, e sim contraditória.
BBC Brasil – Porque a comissão considera a política repressiva falha?
Miguel D'Arcy. Arquivo Pessoal
Para Miguel D'Arcy, após anos de repressão, o tráfico e o consumo de drogas continuam em alta no mundo
D’Arcy – Os números falam por sim. Essa política tem como objetivo erradicar a produção, o tráfico e o consumo. E os números disso continuam altíssimos em todos os continentes. Há toda uma série de efeitos negativos, como o aumento da corrupção e a violação de direitos humanos .
BBC Brasil – O que a comissão propõe?
D’Arcy – A comissão propõe a descriminalização do porte de todas as drogas por parte dos consumidores. Não adianta criminalizar e colocar a pessoa na cadeia, onde o consumo é as vezes até mais fácil. Veja os Estados Unidos, onde há centenas de milhares de presos e o consumo não diminui. É preciso mudar a perspectiva moralista e focar em uma visão de saúde pública. Isso já vem ocorrendo na Europa e na América Latina. No Brasil, o STF (Supremo Tribunal Federal) já deu entendimento de que o porte para consumo não é crime. Se quisermos diminuir os danos causados pela droga, é preciso dar ênfase à prevenção e ao tratamento.
BBC Brasil – A descriminalização seria para todas as drogas ou para narcóticos mais fracos, como a maconha?
D’Arcy – Descriminalização do consumo de todas as drogas. É preciso ter coragem para discutir as coisas como elas são. No caso da maconha, é a droga mais usada e a base do poder do narcotráfico. Não há base científica para tratá-la diferente do tabaco. A revista Lancet, uma publicação científica reconhecida, fez uma hierarquia de drogas lícitas e ilícitas. O tabaco e álcool foram classificados como mais nocivos que a maconha. Não foram cientistas hippies quem disseram isso, foi gente séria.
BBC Brasil – Há disposição política para a discussão?
Comissão Global de Política sobre Drogas
Liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o grupo foi criado em 2011 como um desdobramento da Iniciativa Latino-Americana para Drogas e Democracia.
Integram a comissão os ex-presidentes da Colômbia, César Gavira, do México, Ernesto Zedillo, o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o ex-secretário do Tesouro dos EUA, Paul Volcker, os ecritores Carlos Fuentes e Mario Vargas Llosas, entre outros.
D’Arcy – Veja a América Latina. O México hoje trava uma guerra perdida. Não tem nenhum outro país que tenha feito mais para erradicar a droga como a Colômbia. Claro que a política contra os narcóticos aumentou a segurança do país nos últimos anos, mas a produção não diminuiu. Há várias lideranças, como o ex-presidente Ernesto Zedillo, no México, e o próprio presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia, que defendem a discussão. O presidente da Guatemala (Otto Pérez Molina), que é um militar conservador, já disse que é preciso uma política de regulação da maconha, da mesma forma como se faz com o tabaco.
BBC Brasil – Mas a descriminalização isoladamente em alguns países surtiria efeito, visto que o tráfico atua como um sistema internacional?
D’Arcy – O argumento que um país sozinho não pode fazer nada é paralisante. Portugal e Suíça já deram passos nesse sentido. Quando os portugueses descriminalizaram, os americanos não aprovaram. Mas eles foram em frente, e os resultados são hoje muito positivos. É preciso entender que o grande beneficiário da política proibitiva é o traficante. É como nos tempos da Lei Seca, nos Estados Unidos, quando surgiram Al Capones e muita violência.


Comissão presidida por FHC defende descriminalização das drogas


Maurício Moraes
Da BBC Brasil em São Paulo

Na contramão da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, a Comissão Global de Política sobre Drogas defende a descriminalização do consumo de narcóticos e diz que o maior efeito da luta anti-drogas foi aumentar a violência no mundo.

Moradores de favelas desafiam projetos de Copa e Olimpíada, diz NYT


Os planos de fazer da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 os símbolos maiores de um Brasil mais avançado estão sendo atrapalhados por impasses com moradores de favelas, greves no setor de construção civil e escândalos de corrupção, afirma uma reportagem do jornal americanoThe New York Times.
Em texto publicado nesta segunda-feira, com destaque na primeira página do jornal, o correspondente Simon Romero expõe conflitos causados por desapropriações em favelas, que vêm ocorrendo para dar lugar a instalações olímpicas ou a projetos de infraestrutura urbana.
A reportagem expõe o exemplo da Vila Autódromo, uma comunidade de 4 mil moradores na zona oeste do Rio, que, segundo o jornal, tem sido uma “pedra no sapato” do governo por vários meses.
Os moradores do local, de acordo com o New York Times, lutam para não ser removidos da área onde será construído o Parque Olímpico, que reúne as principais instalações para os Jogos de 2016.

Símbolo de ascensão

New York Times afirma que, embora os megaeventos esportivos sejam vistos por muitos brasileiros como a maior expressão da ascensão do país no palco mundial, os seus preparativos têm sido conturbados devido à tensão gerada pelas remoções, entre outros fatores.
Moradores de favelas do Rio estão usando redes sociais para propagar suas mensagens, em uma resistência que contrasta com a facilidade com que autoridades chinesas removeram milhares de pessoas de seus locais de moradia para as Olimpíadas de Pequim, em 2008, afirma a reportagem.
Uma rede de ativistas espalhada pelas 12 cidades brasileiras que serão sedes da Copa do Mundo, citada pelo jornal americano, diz que até 170 mil pessoas podem passar por ações de despejo nos preparativos para a Copa e a Olimpíada.
A resistência, de acordo com o NYT, ganha força com a cobertura da mídia local e de blogs independentes.
A reportagem afirma ainda que o desejo de trabalhadores de construção civil de receber sua fatia do crescimento econômico do país está provocando greves de operários do setor, que pressionam por salários mais altos.
Pelo menos oito cidades já registraram paralisações nas obras de estádios que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014.
Na avaliação do jornal, a cultura política do Brasil também têm contribuído para gerar atrasos nos preparativos, com escândalos de corrupção envolvendo autoridades esportivas.

Dilma culpa crise europeia por baixo crescimento e cobra solução de Merkel


Enviado especial da BBC Brasil a Hannover

Dilma Rousseff e Angela Merkel em Hannover. AFP
Dilma e Merkel testam um tablet a prova d'água durante a Cebit, na Alemanha
A presidente Dilma Rousseff responsabilizou nesta terça-feira a crise nos países desenvolvidos pela desaceleração econômica nos países emergentes e cobrou dos líderes europeus uma solução para o problema que não prejudique as economias em desenvolvimento.
As declarações de Dilma foram feitas após uma visita, ao lado da chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, à feira de tecnologia CeBIT, em Hannover, que neste ano tem o Brasil como país-parceiro.
Com Merkel ao seu lado, Dilma afirmou que "não só os países desenvolvidos estão sofrendo pressões nas suas taxas de crescimento, mas também os países emergentes".
O Brasil fechou 2011 com um crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto.
"Na verdade, o que tem acontecido é que os países emergentes têm visto suas taxas de crescimento diminuir", afirmou a presidente.
"Nós acertamos que cada governo, entendendo os problemas das suas respectivas regiões, vai buscar as melhores formas de cooperação no sentido de ultrapassar este período, que é um período adverso para a economia internacional", disse.
Dilma afirmou que "o governo brasileiro terá uma posição proativa no sentido de ampliar cada vez mais a taxa de crescimento no Brasil de forma sustentável, respeitando o equilíbrio macroeconômico com finanças públicas e uma estrutura fiscal sólidas".
Voltando-se a Merkel, a presidente disse ainda que gostaria de contar com investimentos de empresas alemãs no Brasil para ajudar nesse esforço de crescimento, principalmente nas áreas de infraestrutura e na organização dos grandes eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada.
Pressão cambial
A premiê alemã é a principal defensora, dentro da União Europeia, das medidas de cortes de gastos e austeridade fiscal como mecanismos para a retomada da confiança dos mercados sobre a saúde das economias europeias e a saída da atual crise.
O governo brasileiro, porém, já expressou preocupação com o efeito recessivo dessas políticas e defende investimentos para fomentar o crescimento.
Nos últimos dias, Dilma Rousseff vem também criticando a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de elevar em 530 bilhões de euros os empréstimos a juros baixos disponibilizados aos bancos da região, alegando que isso provocará a desvalorização do euro e levará ao aumento do fluxo de divisas para países emergentes o que fortalece o real frente ao dólar encarecendo as exportações brasileiras.
Questionada nesta terça-feira sobre as críticas feitas na véspera por Merkel ao protecionismo brasileiro, exemplificado no aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros importados determinado no ano passado, Dilma afirmou que o Brasil poderá adotar novas medidas caso se mantenha a pressão pela valorização da moeda brasileira.
"Diante da desvalorização artificial das moedas dos outros países, o Brasil tomará todas as medidas que não firam as disposições da OMC (Organização Mundial do Comércio) para evitar que essa desvalorização artificial das moedas desindustrialize a economia brasileira", afirmou.

'Por pouco', Brasil passa Grã-Bretanha e se torna 6ª economia global


O ministro da Fazenda Guido Mantega. | Foto: Reuters
Mantega disse que uma economia dinâmica é mais importante que o crescimento do PIB
O crescimento de 2,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2011, anunciado nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), confirmou uma previsão feita por analistas recentemente: de que no ano passado a economia brasileira ultrapassaria a britânica e se tornaria a sexta maior do mundo. No entanto, a ultrapassagem ocorreu por margem menor que a esperada.
Segundo cálculo do Centro para a Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR), um instituto britânico, o PIB brasileiro alcançou US$ 2,469 trilhões (cerca de R$ 4 trilhões) em 2011, ante US$ 2,420 trilhões do britânico.
"A diferença foi menor do que havíamos previsto antes. A economia brasileira tropeçou, mas a economia da Grã-Bretanha foi ainda pior no ano passado, então não foi o suficiente para mudar o cenário", diz o analista Tim Ohlenberg, do CEBR.
O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país ao longo do ano. Agora, somente Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França estão à frente do Brasil no ranking, que leva em conta os PIBs nominais, medidos em preços correntes.
Outros dois institutos econômicos ouvidos pela BBC Brasil confirmam que a ultrapassagem ocorreu. Segundo cálculos da Consultoria Tendências, o PIB brasileiro alcançou US$ 2,477 trilhões em 2011. O britânico, por sua vez, chegou a US$ 2,421 trilhões.
Em 2010, de acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o PIB brasileiro valia US$2,09 trilhões, comparado a US$ 2,25 trilhões da Grã-Bretanha.
Para comparar os PIBs, deve-se converter suas quantias (medidas nas moedas locais) em dólares, usando como base a cotação média do real e da libra para a moeda americana em 2011. É a primeira vez que o PIB brasileiro aparece à frente do britânico.
A ultrapassagem se explica em grande parte pelos desempenhos das duas economias no ano passado: enquanto o Brasil cresceu 2,7%, a Grã-Bretanha teve expansão de 0,8%.
A economia britânica tem sofrido com os prolongados efeitos da crise econômica na Europa.
Segundo analistas, outro fator que teve peso no resultado foi a acentuada apreciação do real no período, superior à valorização da libra.
O Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social (NIESR, na sigla em inglês) também confirmou que o PIB brasileiro ultrapassou o britânico. Nas contas do instituto, que faz a comparação com base em dados do FMI e em taxas de câmbio atuais, o PIB brasileiro hoje vale US$ 2,52 trilhões, enquanto o britânico vale US$ 2,48 trilhões.
Apesar do resultado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que é mais importante ter uma economia dinâmica, com crescimento sustentável, do que ter o sexto maior PIB global.

Consumo das famílias

Segundo o IBGE, ao crescer 2,7% em 2011, o PIB brasileiro alcançou R$ 4,143 trilhões.
Ainda que bem inferior à projeção do governo no início do ano passado, de expansão de 5%, o resultado de 2011 evidencia o relativo bom momento da economia brasileira num momento em que a Europa e os Estados Unidos enfrentam graves dificuldades para voltar a crescer.
No entanto, apesar do resultado anual, os dados indicam que houve uma desaceleração da economia no fim do ano passado. De acordo com o IBGE, a economia cresceu 0,3% nos últimos três meses de 2011 em relação ao trimestre anterior.
Ainda segundo o Instituto, o desempenho da economia em 2011 foi puxado pelo consumo das famílias, que teve expansão de 4,1% em relação a 2010. Também tiveram bons resultados o setor agropecuário, com crescimento de 3,9%, e o de serviços, com 2,7%.

quinta-feira, 1 de março de 2012


Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

Em meio à reivindicação para que sejam abertas negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, a Argentina anunciou uma medida que visa dificultar a compra de produtos britânicos, abrindo caminho para uma guerra comercial com a Grã-Bretanha.
Na noite da terça-feira, o governo argentino pediu aos empresários do país que não importem produtos da Grã-Bretanha, substituindo os itens britânicos por similares de outras procedências, de acordo com a mídia argentina.
Por telefone, a ministra de Indústria da Argentina, Débora Giorgi, teria feito o pedido a executivos e empresários das 20 principais empresas nacionais e multinacionais instaladas no país que importam produtos da Grã Bretanha.
Entre os itens que seriam afetados pela medida, estão produtos usados no setor agropecuário, como tratores e inseticidas especiais.
"É fundamental que a Argentina decida quem são seus sócios comerciais e estratégicos, e, neste sentido, o governo também quer transmitir um sinal para os que ainda usam o colonialismo como forma de aceder aos recursos naturais", afirmaram assessores do ministério, de acordo com os jornais Clarín e El Cronista.

'Colonialismo'

A palavra “colonialismo” tem sido repetida nos discursos da presidente Cristina Kirchner quando se refere à Grã-Bretanha e à questão das Malvinas (Falklands, para os britânicos).
Neste ano, que marca os 30 anos da guerra entre os dois países em torno da soberania das ilhas, as autoridades argentinas tem intensificado suas criticas aos britânicos.
A guerra começou em 2 de abril de 1982, com a chegada de tropas argentinas no arquipélago do Atlântico Sul. No entanto, esta é a primeira vez que a disputa é levada ao terreno comercial.
Para o economista Marcelo Elizondo, ex-presidente da Fundação Exportar, ligada ao governo, "não é fácil" substituir as importações britânicas.
"Não é fácil substituir estas importações porque elas são de alta qualidade, e não se encontram em qualquer lugar. E este tipo de medida contra um mercado costuma gerar retaliações", afirmou o economista, que trabalha na consultoria DNI (Desenvolvimento de Negócios Internacionais).
Ele afirma que, na lista de empresas instaladas na Argentina que exportam para o mercado britânico, estão multinacionais como Cargill e Aceitera General Deheza, além de vinícolas nacionais como Norton e Santiago Grafigna.

Restrições a importados

A escalada de tensões diplomáticas entre Argentina e Grã-Bretanha passou para o setor comercial depois que dois cruzeiros, que tinham saído das Malvinas, foram impedidos de ancorar na Província da Terra do Fogo, no extremo sul do território argentino.
A decisão gerou criticas do setor de turismo e empresarial na Terra do Fogo. "Essa é uma forma barata de se praticar a soberania", disse o presidente da Câmara de Turismo de Ushuaia, na Terra do Fogo, Marcelo Leitti.
Atualmente, a Argentina tem superávit comercial com o Reino Unido, embora a relação tenha registrado uma forte queda no ano passado, em comparação com 2010.
De acordo com a consultoria Abeceb, de Buenos Aires, as importações britânicas representam apenas 0,9% de toda a pauta de importados argentinos.
A iniciativa argentina ocorre em um momento no qual o país já vinha implementando medidas para reduzir a entrada de importados e a saída de dólares.
Nos últimos dias, os governos do Paraguai e do Uruguai somaram-se às criticas que vinham sendo feitas por setores da economia brasileira ao aumento das exigências impostas sobre as exportações para a Argentina.


'Economist': Pré-candidatura de Serra mostra 'falha' do PSDB em renovar líderes


A pré-candidatura "tardia" de José Serra à Prefeitura de São Paulo mostrou "o fracasso do PSDB" em formar uma nova geração de candidatos, opina a revista britânicaThe Economist em sua edição mais recente.
Serra anunciou, na última segunda-feira, sua intenção em participar das prévias do PSDB para disputar a prefeitura. O tucano foi prefeito de São Paulo entre 2005 e 2006, quando deixou o cargo para concorrer a governador do Estado, eleição que ele venceu.
Agora, seu principal adversário, caso seja aclamado candidato do PSDB, deve ser o ex-ministro da Educação, o petista Fernando Haddad.
"Serra deixou (a prefeitura em 2006) apenas 15 meses depois (da posse), apesar de ter prometido durante a campanha que serviria o mandato completo. Esse é seu principal passivo", diz a reportagem da Economist. "Os eleitores suspeitam que ele ainda alimenta ambições presidenciais e que pode abandonar seu mandato de prefeito."
Mas a revista aponta que uma derrota em São Paulo seria fortemente sentida pelo PSDB - "e o retorno de Serra faz com que isso seja menos provável".

Candidatura presidencial

Economist diz ainda que pode ser uma "boa ideia" para o partido oposicionista se unir em torno de uma única candidatura nas próximas eleições presidenciais, mesmo que seja muito difícil, na opinião da revista, derrotar a presidente Dilma Rousseff.
"Serra obteve a nomeação de seu partido para concorrer à Presidência em 2010 por força de vontade e porque ninguém conseguiu pensar em uma forma de detê-lo", diz o texto.
"A maioria dos ativistas do partido achava que era hora de apresentar (a candidatura) de uma cara nova, e a derrota (de Serra para Dilma) sugere que eles estavam certos. A entrada tardia na corrida à Prefeitura pode fazer com que eles (os ativistas contra a candidatura de Serra) levem a melhor na próxima (eleição presidencial)."
"Mas isso também evidencia o fracasso do PSDB em formar uma nova geração de líderes", conclui a revista.