Frase da semana

A manifestação popular é a legitimação da democracia (Dilma Roussef)

quarta-feira, 7 de março de 2012

'Por pouco', Brasil passa Grã-Bretanha e se torna 6ª economia global


O ministro da Fazenda Guido Mantega. | Foto: Reuters
Mantega disse que uma economia dinâmica é mais importante que o crescimento do PIB
O crescimento de 2,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2011, anunciado nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), confirmou uma previsão feita por analistas recentemente: de que no ano passado a economia brasileira ultrapassaria a britânica e se tornaria a sexta maior do mundo. No entanto, a ultrapassagem ocorreu por margem menor que a esperada.
Segundo cálculo do Centro para a Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR), um instituto britânico, o PIB brasileiro alcançou US$ 2,469 trilhões (cerca de R$ 4 trilhões) em 2011, ante US$ 2,420 trilhões do britânico.
"A diferença foi menor do que havíamos previsto antes. A economia brasileira tropeçou, mas a economia da Grã-Bretanha foi ainda pior no ano passado, então não foi o suficiente para mudar o cenário", diz o analista Tim Ohlenberg, do CEBR.
O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país ao longo do ano. Agora, somente Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França estão à frente do Brasil no ranking, que leva em conta os PIBs nominais, medidos em preços correntes.
Outros dois institutos econômicos ouvidos pela BBC Brasil confirmam que a ultrapassagem ocorreu. Segundo cálculos da Consultoria Tendências, o PIB brasileiro alcançou US$ 2,477 trilhões em 2011. O britânico, por sua vez, chegou a US$ 2,421 trilhões.
Em 2010, de acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o PIB brasileiro valia US$2,09 trilhões, comparado a US$ 2,25 trilhões da Grã-Bretanha.
Para comparar os PIBs, deve-se converter suas quantias (medidas nas moedas locais) em dólares, usando como base a cotação média do real e da libra para a moeda americana em 2011. É a primeira vez que o PIB brasileiro aparece à frente do britânico.
A ultrapassagem se explica em grande parte pelos desempenhos das duas economias no ano passado: enquanto o Brasil cresceu 2,7%, a Grã-Bretanha teve expansão de 0,8%.
A economia britânica tem sofrido com os prolongados efeitos da crise econômica na Europa.
Segundo analistas, outro fator que teve peso no resultado foi a acentuada apreciação do real no período, superior à valorização da libra.
O Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social (NIESR, na sigla em inglês) também confirmou que o PIB brasileiro ultrapassou o britânico. Nas contas do instituto, que faz a comparação com base em dados do FMI e em taxas de câmbio atuais, o PIB brasileiro hoje vale US$ 2,52 trilhões, enquanto o britânico vale US$ 2,48 trilhões.
Apesar do resultado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que é mais importante ter uma economia dinâmica, com crescimento sustentável, do que ter o sexto maior PIB global.

Consumo das famílias

Segundo o IBGE, ao crescer 2,7% em 2011, o PIB brasileiro alcançou R$ 4,143 trilhões.
Ainda que bem inferior à projeção do governo no início do ano passado, de expansão de 5%, o resultado de 2011 evidencia o relativo bom momento da economia brasileira num momento em que a Europa e os Estados Unidos enfrentam graves dificuldades para voltar a crescer.
No entanto, apesar do resultado anual, os dados indicam que houve uma desaceleração da economia no fim do ano passado. De acordo com o IBGE, a economia cresceu 0,3% nos últimos três meses de 2011 em relação ao trimestre anterior.
Ainda segundo o Instituto, o desempenho da economia em 2011 foi puxado pelo consumo das famílias, que teve expansão de 4,1% em relação a 2010. Também tiveram bons resultados o setor agropecuário, com crescimento de 3,9%, e o de serviços, com 2,7%.

quinta-feira, 1 de março de 2012


Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

Em meio à reivindicação para que sejam abertas negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, a Argentina anunciou uma medida que visa dificultar a compra de produtos britânicos, abrindo caminho para uma guerra comercial com a Grã-Bretanha.
Na noite da terça-feira, o governo argentino pediu aos empresários do país que não importem produtos da Grã-Bretanha, substituindo os itens britânicos por similares de outras procedências, de acordo com a mídia argentina.
Por telefone, a ministra de Indústria da Argentina, Débora Giorgi, teria feito o pedido a executivos e empresários das 20 principais empresas nacionais e multinacionais instaladas no país que importam produtos da Grã Bretanha.
Entre os itens que seriam afetados pela medida, estão produtos usados no setor agropecuário, como tratores e inseticidas especiais.
"É fundamental que a Argentina decida quem são seus sócios comerciais e estratégicos, e, neste sentido, o governo também quer transmitir um sinal para os que ainda usam o colonialismo como forma de aceder aos recursos naturais", afirmaram assessores do ministério, de acordo com os jornais Clarín e El Cronista.

'Colonialismo'

A palavra “colonialismo” tem sido repetida nos discursos da presidente Cristina Kirchner quando se refere à Grã-Bretanha e à questão das Malvinas (Falklands, para os britânicos).
Neste ano, que marca os 30 anos da guerra entre os dois países em torno da soberania das ilhas, as autoridades argentinas tem intensificado suas criticas aos britânicos.
A guerra começou em 2 de abril de 1982, com a chegada de tropas argentinas no arquipélago do Atlântico Sul. No entanto, esta é a primeira vez que a disputa é levada ao terreno comercial.
Para o economista Marcelo Elizondo, ex-presidente da Fundação Exportar, ligada ao governo, "não é fácil" substituir as importações britânicas.
"Não é fácil substituir estas importações porque elas são de alta qualidade, e não se encontram em qualquer lugar. E este tipo de medida contra um mercado costuma gerar retaliações", afirmou o economista, que trabalha na consultoria DNI (Desenvolvimento de Negócios Internacionais).
Ele afirma que, na lista de empresas instaladas na Argentina que exportam para o mercado britânico, estão multinacionais como Cargill e Aceitera General Deheza, além de vinícolas nacionais como Norton e Santiago Grafigna.

Restrições a importados

A escalada de tensões diplomáticas entre Argentina e Grã-Bretanha passou para o setor comercial depois que dois cruzeiros, que tinham saído das Malvinas, foram impedidos de ancorar na Província da Terra do Fogo, no extremo sul do território argentino.
A decisão gerou criticas do setor de turismo e empresarial na Terra do Fogo. "Essa é uma forma barata de se praticar a soberania", disse o presidente da Câmara de Turismo de Ushuaia, na Terra do Fogo, Marcelo Leitti.
Atualmente, a Argentina tem superávit comercial com o Reino Unido, embora a relação tenha registrado uma forte queda no ano passado, em comparação com 2010.
De acordo com a consultoria Abeceb, de Buenos Aires, as importações britânicas representam apenas 0,9% de toda a pauta de importados argentinos.
A iniciativa argentina ocorre em um momento no qual o país já vinha implementando medidas para reduzir a entrada de importados e a saída de dólares.
Nos últimos dias, os governos do Paraguai e do Uruguai somaram-se às criticas que vinham sendo feitas por setores da economia brasileira ao aumento das exigências impostas sobre as exportações para a Argentina.


'Economist': Pré-candidatura de Serra mostra 'falha' do PSDB em renovar líderes


A pré-candidatura "tardia" de José Serra à Prefeitura de São Paulo mostrou "o fracasso do PSDB" em formar uma nova geração de candidatos, opina a revista britânicaThe Economist em sua edição mais recente.
Serra anunciou, na última segunda-feira, sua intenção em participar das prévias do PSDB para disputar a prefeitura. O tucano foi prefeito de São Paulo entre 2005 e 2006, quando deixou o cargo para concorrer a governador do Estado, eleição que ele venceu.
Agora, seu principal adversário, caso seja aclamado candidato do PSDB, deve ser o ex-ministro da Educação, o petista Fernando Haddad.
"Serra deixou (a prefeitura em 2006) apenas 15 meses depois (da posse), apesar de ter prometido durante a campanha que serviria o mandato completo. Esse é seu principal passivo", diz a reportagem da Economist. "Os eleitores suspeitam que ele ainda alimenta ambições presidenciais e que pode abandonar seu mandato de prefeito."
Mas a revista aponta que uma derrota em São Paulo seria fortemente sentida pelo PSDB - "e o retorno de Serra faz com que isso seja menos provável".

Candidatura presidencial

Economist diz ainda que pode ser uma "boa ideia" para o partido oposicionista se unir em torno de uma única candidatura nas próximas eleições presidenciais, mesmo que seja muito difícil, na opinião da revista, derrotar a presidente Dilma Rousseff.
"Serra obteve a nomeação de seu partido para concorrer à Presidência em 2010 por força de vontade e porque ninguém conseguiu pensar em uma forma de detê-lo", diz o texto.
"A maioria dos ativistas do partido achava que era hora de apresentar (a candidatura) de uma cara nova, e a derrota (de Serra para Dilma) sugere que eles estavam certos. A entrada tardia na corrida à Prefeitura pode fazer com que eles (os ativistas contra a candidatura de Serra) levem a melhor na próxima (eleição presidencial)."
"Mas isso também evidencia o fracasso do PSDB em formar uma nova geração de líderes", conclui a revista.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Morte de indio Tupinambá por atraso no socorro médico agrava conflito entre indios e fazendeiros no sul da Bahia


A morte de um índio tupinambá, que teve o socorro impedido por pistoleiros, mostra que o clima, ontem, continuava tenso em Itaju do Colônia, no sul da Bahia, onde índios da tribo Pataxó Hã-hã-hãe disputam terras com fazendeiros. Por ordem do governador Jaques Wagner (PT), que criou uma “Força de Paz” para atuar na área conflitada, a segurança local passou a contar com o reforço de 20 homens da Polícia Militar, quatro da Polícia Civil, além do apoio de quatro grupamentos da Polícia Federal e três guarnições da Funasa/Funai. Eles se somarão à guarnição da Companhia Independente de Policiamento Especializado na Região Cacaueira (Cipe), que já atua naquela localidade, e prepostos da Polícia Federal.
Informes passados ao governador pelo comandante-geral da Polícia Militar na Bahia, coronel Alfredo Castro, dão conta de que apenas quatro propriedades rurais ainda não foram invadidas pelos índios. Ao todo, 46 fazendas foram “retomadas” pelos índigenas, que reclamam a posse de uma área de 54 mil hectares, numa ação de nulidade de títulos que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). O governador Jaques Wagner disse que, embora o assunto seja da alçada federal, vai continuar mediando o conflito para garantir a integridade de índios e fazendeiros. (A Tarde)

Chávez 'jura' que viverá e promete vitória eleitoral apesar de doença


Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, viaja a Cuba nesta sexta-feira onde será submetido a uma nova cirurgia para retirada de uma lesão na região pélvica, mesmo local de onde foi extraído um tumor cancerígeno, no ano passado.
O novo problema de saúde do presidente extremece o panorama político do país, a apenas oito meses das decisivas eleições presidenciais de outubro.

O panorama político-eleitoral venezuelano mudou radicalmente esta semana, quando Chávez anunciou o aparecimento da nova lesão, que, de acordo com ele, tem "altas probabilidades" de ser mais um tumor maligno.
O que, até então, era só uma agenda polarizada, centrada na disputa entre Chávez e o candidato da oposição, se tornou "complexa" na opinião do analista político Carlos Romero, professor da Universidade Central da Venezuela.
"Muitos venezuelanos se perguntam sobre o futuro da estabilidade política no país, sobre o futuro do exercício no cargo da Presidência e sobre o futuro do processo eleitoral", disse Romero à BBC Brasil.
Na véspera da viagem à Havana, Chávez disse estar preparado para enfrentar o "pior dos cenários", porém, reiterou sua candidatura à Presidência e prometeu sair vitorioso das urnas.
"Se esse novo elemento que eu tenho aí encubado for maligno, iremos combatê-lo e expulsá-lo da mesma forma", disse Chávez, diante de centenas de simpatizantes em um ato governamental em homenagem a ele, realizado em um teatro no centro da capital.
"Tenham certeza que os guiarei, ainda na pior das dificuldades, a uma nova vitória em 7 de outubro", acrescentou.

Incógnita


A principal incógnita para governistas e opositores é se Chávez terá saúde para enfrentar a campanha eleitoral contra o centro-direitista Henrique Capriles Radonski, atual governador do estado de Miranda, vencedor das recentes eleições primárias da coalizão opositora.
"Ainda não sabemos o que foi pior, se a aparição do tumor no ano passado ou essa recaída agora", disse à BBC Brasil um alto funcionário do governo.
Para o analista político Miguel Tinker Salas, professor de História Latino-americana da Pomona College, da Califórnia, a concentração de poder na figura de Chávez - motivo de preocupação quando o câncer foi diagnosticado no ano passado - continua sendo o principal desafio do chavismo.
"Sua força e sua fraqueza estão em Chávez. É uma figura única que consegue captar o interesse e apoio da população, que transformou a realidade política do país, mas ao mesmo tempo, o fato de que o projeto de governo depende exclusivamente de Chávez é também seu ponto fraco", afirmou.
Tanto no núcleo principal do governo, como nos setores de base que apóiam o presidente, ninguém se atreve a contemplar um cenário eleitoral sem a liderança do presidente. A candidatura da oposição, por sua vez, vem apostando na estratégia de que Chávez é um "cavalo velho", que não poderá governar nos próximos seis anos.
Analistas apontam que, em 13 anos de governo, o chavismo não foi capaz de construir uma liderança alternativa, que acompanhasse o presidente na construção da chamada revolução bolivariana.
"O chavismo entra em uma situação difícil. A bandeira que Chávez representa como candidato é insubstituível", afirmou Romero.
São quatro os dirigentes políticos que aparecem com mais popularidade e poder na cúpula chavista, porém, sem projeção nacional: o vice-presidente, Elias Jaua, representante da ala esquerdista do governo; o chanceler Nicolás Maduro; o ministro de Energia e Petróleo Rafael Ramirez; e o menos popular, porém poderoso dentro das Forças Armadas, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional e ex-ministro de Obras Públicas.
Outro "herdeiro" com menor projeção seria o irmão do presidente, Adán Chávez, governador do estado de Barinas.

Campanha

Se a nova lesão encontrada for maligna, Chávez terá de se submeter a tratamento com quimioterapia ou radioterapia. De acordo com médicos consultados pela BBC Brasil, este cenário implicaria pelo menos cinco meses de tratamento, o que obrigaria o mandatário a afastar-se do cenário político neste período.

Essa possibilidade pode transformar Chávez em uma espécie de candidato virtual - cuja candidatura seria impulsionada por seu comando eleitoral - que conta com o apoio dos movimentos sociais reunidos no chamado Pólo Patriótico.
Se este cenário se consolidar, será a primeira vez em 13 anos que Chávez estaria fora do "corpo a corpo" eleitoral com a população em caravanas, nas quais costuma escutar queixas de seus simpatizantes, reforça antigas promessas e, por consequência, angaria votos e fidelidade.
Para o analista político Miguel Tinker Salas, professor de História Latino-americana da Pomona College, da Califórnia, uma campanha com Chávez doente será "complicada" para o chavismo.
"O projeto do governo continua baseando-se na lógica de que sem Chávez, não há chavismo".
Analistas concordam que ainda é cedo para prever a possível reação do eleitorado venezuelano diante da situação de saúde do presidente.
No ano passado, Chávez teve um aumento de cerca de 10 pontos em sua popularidade depois que foi diagnosticado com câncer.
Esse comportamento do eleitorado, no entanto, pode mudar.
"A experiência indica que a primeira reação popular diante de uma enfermidade é solidariedade, mas é eleitoralmente volátil", afirmou o analista Luis Vicente León, presidente da Consultoria Datanalisis.

A oposição espalha rumores de que a aliança chavista poderia solicitar ao Conselho Nacional Eleitoral o adiamento as eleições por alguns meses, o que daria a Chávez mais tempo para recuperação. O governo não confirma essa hipótese.

Unidade

Um dos desafios para o chavismo será manter a unidade no governo na ausência do presidente. Chávez deverá ser operado entre segunda e terça-feira e deverá permanecer alguns dias internado em um hospital, em Havana, durante a recuperação.
Assim como ocorreu no ano passado, quando foi operado para a retirada de um câncer, o presidente venezuelano disse que continuará governando, de Cuba. O vice-presidente Elias Jaua, deverá coordenar o gabinete.
Chávez pediu unidade aos membros do governo e disse que a população sabe o que fazer em caso de "dificuldade", sem especificar de que tipo.
"Tenho certeza de que vocês sabem. (...) O povo (sabe) o que tem que fazer diante de qualquer dificuldade", disse em transmissão por cadeia de rádio e tv.
O presidente venezuelano anunciou a equipe que estará encarregada da campanha e tornou pública quais serão as linhas de discussão durante o debate eleitoral.
"Temos que colocar ênfase nos êxitos da revolução. (...) Temos que demonstrar o que se perderia no futuro no caso nefasto de que a burguesia volte a governar a Venezuela", disse.
Apesar do visível esforço em demonstrar entusiasmo, era nítido o semblante de preocupação de Chávez e de todo seu gabinete na noite da quinta-feira. Ao se despedir da multidão, Chávez prometeu derrotar o câncer.
"Juro que viverei e os acompanharei rumo a novas vitórias", disse.

Farinha pouca, meu pirão primeiro


Essa frase ainda é usada em muitos lares como uma metáfora para criticar as pessoas que são egoístas, egocêntricas e as que só pensam em si, de modo que quando sobra tempo pensam apenas nelas mesmas. É um jargão utilizado para refutar a atitude historicamente impregnada no DNA do brasileiro.
O individualismo está em nossa cultura desde os primeiros tempos, desde que o pensamento antropocêntrico foi trazido pelos europeus. Com o vírus do capitalismo implantado em suas veias, movidos a interesses próprios levaram os nativos do litoral bem como a ubirapitanga à quase extinção. O mesmo aconteceu com o ouro, que serviu apenas para bancar os luxos de um certo Rei José.
A famosa Lei de Gérson, que diz que devemos levar vantagem em tudo, nos tornou tão individuais que pode-se tranquilamente dizer que  o brasileiro não existem, mas sim os “brasileiros”, não digo isso no sentido positivo, de que devemos valorizar a diversidade em todos os sentidos. Mas digo no sentido negativo, pois levamos a diversidade ao extremo, chegamos à individualidade. Não formamos um país ou uma nação, formamos um conglomerado de quase 200 milhões de indivíduos.
Nem se pode dizer que seria um formigueiro humano, como São Paulo, Rio de Janeiro ou Salvador, isso porque formigas não desperdiçam comida enquanto outras passam fome, formigas não se exibem luxuosamente enquanto outras estão sem um teto ou com frio. Formigas não escravizam as outras.
Deveríamos nos envergonhar de ser brasileiro quando vejo um mendigo na calçada e ignoramo-lo, quando não prestamos socorro a alguém para não sujar o banco do carro. Quando dispensamos o afago de um familiar por um telefonema com um amigo.
O brasileiro é solidário apenas no “Teleton” ou no “Criança Esperança”, faz gestos solidários apenas para ganhar uma camiseta ou um adesivo que diz: “eu ajudo a instituição X ou Y”, e o faz buscando a autopromoção. Aí pergunta-se: o brasileiro, ou melhor, os brasileiros são mesmo um povo solidário, ou se a farinha é pouca o meu pirão vem primeiro?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sobre a desordem, a balbúrdia e a calamidade pública



O Carnaval é uma festa que surgiu na Europa com o objetivo de garantir uma boa conduta na Quaresma. Isso mesmo, o Carnaval é uma festa na qual os desejos da carne são liberados, para que seja garantido o jejum espiritual durante a Quaresma, período que antecede a Páscoa, no qual Jesus jejuou. Olhando por esse lado o Carnaval é uma festa religiosa, mas basta chegar aos trópicos para que todo esse caráter aparentemente religioso desaparecer.
O Brasil é um país conhecido internacionalmente não pela inteligência e potencial de seu povo, mas por ser um país onde imperam a balbúrdia e a promiscuidade, isso se confirma quando estrangeiros se referem ao país como o país do Carnaval, o país do futebol, o paraíso das mulatas.
O carnaval, que na Europa é uma festa popular, no Brasil se tornou uma festa de caráter elitista, cada vez mais fechada, na qual o povo, a classe trabalhadora, principal financiadora da festa, é cada vez mais excluída. Isso se nota pelo preço dos abadas, pelo preço dos camarotes, pelos que participam da festa. No Carnaval de Salvador há mais turistas que baianos na Avenida, e o circuito no centro da cidade em áreas nobres, evidenciam mais ainda esse caráter. No Carnaval de Salvador, a classe trabalhadora aparece em todos os momentos da festa, aparece antes montando a estrutura, aparece durante, tentando (embora muitas vezes em vão) manter a ordem, segurando as cordas que excluem a sua própria classe da festa, e depois, limpando a sujeira que filhinhos de papai, baianos ou não deixaram nas ruas.
 No carnaval, todo tipo de atrocidade é percebida entre um bloco. Prova disso é que, segundo alguns turistas estrangeiros, eles foram orientados em além-mar a procederem sempre de maneira cautelosa, uma vez que, segundo os agentes de viagens europeus, os brasileiros costumam agir de forma animalesca durante o carnaval.
A balbúrdia não pára por aí, e só confirma o discurso europeu. Como se não bastasse, o pandemônio se instala: brigas, tiroteios, assassinatos. O uso de drogas ilícitas aumenta em proporções cataclísmicas, e o pudor parecer ser algo de outro mundo. As roupas cada vez menos respeitosas, e seres que se dizem racionais cruzam ao ar livre, assim como os outros irracionais. Como se não bastasse, o caldo sudoríparo junto com a troca constante de fluidos orgânicos, quer seja pelo beijo ou pela cópula, praticados inconsequentemente no circuito da festa, é um excelente transmissor de doenças infecto-contagiosas ou DST’s. o humorista Felipe Netto não mentiu ao dizer que em um carnaval se pega SIDA pelo ar.
No Carnaval se morre mais do que durante todo o ano em Salvador, os acidentes de trânsito são em maior número e cada vez mais trágicos. A quantidade de médicos, enfermeiros e paramédicos escalados, bem como de policiais é algo assustador, durante o ano nem se percebe que existe durante o ano, para completar, nota-se que, quando é para mostrar os turistas e à imprensa, há sempre policiais e ambulâncias bem equipados, a cidade limpinha, mas para o povo, só ferro.
O carnaval ultimamente tem sido apenas uma fonte de renda, e que renda, para o Estado e para a imprensa, bem como pra os empresários que lucram horrores com os camarotes e trios elétricos. Estes em nada investem na festa, só na parte de diversão; o Estado arca com a segurança e a limpeza da sujeira deixada pelas festas. Bem como os gastos com publicidade, feitos pelo Estado para atrair foliões, que se fossem revertidos em saúde, educação, segurança em bem-estar social, como propôs Danillo Gentili, seria bem melhor para a imagem do país. Realmente, é melhor morrer no país do carnaval do que viver no carnaval desse país.